Sábado, 30 de junho de 2012 - 10h11
Pobre Rondônia!
Adoro citações em Latim, como a fidelidade de alguns leitores já está farta de saber. Isso não significa exibição de grande saber, impedimento que a modéstia orienta e a realidade obriga. O recurso às citações em Latim é largamente utilizado pelos juristas quando pretendem enfatizar uma determinado ensinamento. E eu, embora não pertença à casta, também apelo para Cícero, que estabeleceu: “Ore occluso muscae non intrant", recomendação que não passa do conhecido dito popular que adverte:
em boca fechada não entra mosquito.
O conselho tem direção certa: o lamentável senador Ivo Cassol, que anunciou o fiasco da transposição praticamente babando de satisfação pela frustração de seus adversários políticos que buscavam faturar eleitoralmente com a medida. O limitado raciocínio de Cassol não considerou, contudo, o desmoronamento dos sonhos de milhares de servidores que imaginavam conseguir uma vida melhor com a efetivação da mudança. Esperanças fundamentadas no exemplo do que ocorreu com os 700 policiais do antigo território, incorporados à folha da União com salários e vantagens equivalentes. Porque não?
Será que ninguém teve o bom senso de explicar ao ex-governador que a economia que o estado deixa de fazer significa prejuízos para toda a população que inclusive o elegeu imerecidamente para o Senado? Ou que ele teria a obrigação de explicar porque, senador da república, não saiu em defesa intransigente dos interesses da população do estado que representa? Ele poderia inclusive se inspirar na atuação do então senador Moreira Mendes quando da transposição dos policiais militares.
Nada disso. Cassol pensa, quando o faz, exclusivamente em seus próprios interesses e ambições. Ele sonha voltar ao governo do estado, para deixar de ser um Zé ninguém no Senado. E quanto pior o governo de Confúcio, melhor para ele. Mas, e o povo? - poderia perguntar alguém. O povo. Ora, o povo é apenas um detalhe! Pobre Rondônia!
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