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Paulo Saldanha

CRÔNICAS GUAJARAMIRENSES - Jorge Teixeira, um Nome, Uma Lenda, Uma Legenda


        Hoje, dia primeiro de junho, qual Sinuhe, personagem de Mika Waltari, autor de “O Egípcio”, escrevo daqui, quase do barranco do rio Mamoré, em nome da memória e das saudades que me invadem o cérebro e o coração!

        É que num primeiro de junho nascia em General Câmara, lá no abençoado Rio Grande do Sul, o líder que eu transformei em ídolo, o saudoso governador Jorge Teixeira de Oliveira.

         De lembrança em lembrança, em nome da memória, repito, eu cheguei ao dia primeiro de junho de 1983. E, “de repente não mais que de repente”, eu me encontrei numa esquina de Costa Marques. Vi a cidade toda em frente a um prédio público. Rostos alegres, semblantes otimistas, sorrisos abertos! A população se encontrava em festa...

         Nessa data a madrugada preguiçosa despediu da escuridão e foi saudada por fogos de artifício, às 06 horas da manhã.

        Depois das 11 horas da matina o governador iniciaria uma procissão em que o seu governo, através da CAERD entregaria aos moradores um sistema moderno de abastecimento de água; aquela autoridade doaria ao Poder judiciário três edificações: uma seria o Fórum, as duas outras, se destinavam a residências do Juiz da Comarca e do promotor de Justiça.

         Porém, nesse dia, o nosso líder ali no município de Costa Marques, iria inaugurar a primeira agência do BERON, do qual eu fui o primeiro presidente, dependência escolhida e instalada para ser PIONEIRA, condição que daria ao banco estadual para chegar a São Paulo, Rio de Janeiro e ao Paraná. Sonho “sonhado” pela primeira diretoria integrada por Eloy Abud e Janes Fontenelle.

    Naquele dia, a improvisada pista de cascalho da virtuosa cidade guaporense viu uma dezena de pequenos aviões pousando e, depois decolando. A maioria dessas aeronaves seria dos empresários que vinham acreditando no novo estado de Rondônia.

      A temperatura logo caiu para 8 graus e um frio ninado nas asas de um vento soprado lá do Sul, passando pelo pantanal, - dizem que quase de 40 km – parecendo que um Alaska sentara praça, de forma intensa e cruel, num barranco guaporense.

       O coronel Teixeira estava eufórico, contente, alegre e satisfeito!

     O BERON todo inebriado celebrava a primeira grande conquista: tornar-se pioneiro num município integrante da terra que lhe serviu de berço.

       Na gestão do grande timoneiro os milagres aconteciam! Em menos de 20 dias, escolhemos um prédio, adaptamo-lo para o modo bancário, decoramos o imóvel com bom gosto e criatividade – serviço entregue ao Lucini Pinheiro e ao Masinho Tourinho – e a primeira sucursal, no dia primeiro de junho de 1983, no dia do aniversário do governador, este presenteou a população ordeira, esperançosa e agradecida daquela localidade fronteiriça.

Na inauguração da primeira agência, em 01/06/1983, próximo do Governador e de dona Aída Fibiger de Oliveira, a primeira dama, elegante, jovial, bem humorada e grande incentivadora. - Gente de Opinião
Na inauguração da primeira agência, em 01/06/1983, próximo do Governador e de dona Aída Fibiger de Oliveira, a primeira dama, elegante, jovial, bem humorada e grande incentivadora.

      Faço notar que, antes, empresários, pescadores, os servidores do INCRA, Professores e professoras, demais funcionários do estado, da Ceron, para receberem seus contra-cheques, efetivarem transações, tinham que viajar até Guajará-Mirim, mais de 460 km, rios abaixo.

       O primeiro gerente da representação beroniana fora o competente administrador Natanael José da Silva, amigo que eu fizera em Cuiabá e que, nos reencontrando aqui “Na Última Estrela Nos Céus da União” muito concorreu para que, em tempo record, pudéssemos inaugurar esse importante equipamento sócio-financeiro e desenvolvimentista àquela comunidade tão carente.

        Interessante é que o Paulo Carrate, Carlos Azzi, Antônio Paes, o Cavalcante, a Maria da Paz (a Pazinha – hoje empresária em Porto Velho), entre outros moradores da pequena urbe, como voluntários, nos auxiliaram na montagem da Filial, sem auferir nada em troca.

Senhoras Aída Fibiger de Oliveira e Olgarina Cavalcante Saldanha descerrando a fita simbólica de inauguração da 1ª Agencia do BERON em Costa Marques, no dia 1º de Junho de 1983. - Gente de Opinião
Senhoras Aída Fibiger de Oliveira e Olgarina Cavalcante Saldanha descerrando a fita simbólica de inauguração da 1ª Agencia do BERON em Costa Marques, no dia 1º de Junho de 1983.

     E tudo correu dentro do cerimonial previsto! Dona Ainda Fibiger de Oliveira, primeira dama e a minha mulher Olgarina Saldanha, descerraram a fita, após o que o governador fez eloquente discurso presenteando a população com esse mimo; a filial do BERON.

     Naqueles idos de 1983, o idealista, nacionalista, o administrador probo, sério, abnegado, visionário e talentoso conhecido nesta Amazônia de Deus como o TEIXEIRÃO, jamais poderia imaginar que, anos depois, outros governantes sem os pendores para a administração pública, deixariam o Banco morrer à míngua, enfraquecido e debilitado, inclusive e principalmente diante da incúria, omissão, imperícia e negligência do BACEN, que o esteve administrando...

     Mas, no Brasil é assim: uns criam, edificam, constroem, elevam templos à virtude; outros acabam destruindo o que fora feito, fora implantado com denodo, altruísmo e sentido de brasilidade, sempre se cultivando valores éticos, demonstrando acrisolado fervor, seja pela honra de serem sérios e glorificados pelas missões recolhidas, cumpridas com galhardia e lealdade institucional.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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