Segunda-feira, 1 de junho de 2026 - 19h18
Hoje,
dia primeiro de junho, qual Sinuhe, personagem de Mika Waltari, autor de “O
Egípcio”, escrevo daqui, quase do barranco do rio Mamoré, em nome da memória e
das saudades que me invadem o cérebro e o coração!
É que num primeiro de junho nascia em
General Câmara, lá no abençoado Rio Grande do Sul, o líder que eu transformei
em ídolo, o saudoso governador Jorge Teixeira de Oliveira.
De lembrança em lembrança, em nome da
memória, repito, eu cheguei ao dia primeiro de junho de 1983. E, “de repente
não mais que de repente”, eu me encontrei numa esquina de Costa Marques. Vi a
cidade toda em frente a um prédio público. Rostos alegres, semblantes
otimistas, sorrisos abertos! A população se encontrava em festa...
Nessa data a madrugada preguiçosa
despediu da escuridão e foi saudada por fogos de artifício, às 06 horas da
manhã.
Depois das 11 horas da matina o
governador iniciaria uma procissão em que o seu governo, através da CAERD
entregaria aos moradores um sistema moderno de abastecimento de água; aquela
autoridade doaria ao Poder judiciário três edificações: uma seria o Fórum, as
duas outras, se destinavam a residências do Juiz da Comarca e do promotor de
Justiça.
Porém, nesse dia, o nosso líder ali no
município de Costa Marques, iria inaugurar a primeira agência do BERON, do qual
eu fui o primeiro presidente, dependência escolhida e instalada para ser
PIONEIRA, condição que daria ao banco estadual para chegar a São Paulo, Rio de Janeiro
e ao Paraná. Sonho “sonhado” pela primeira diretoria integrada por Eloy Abud e
Janes Fontenelle.
Naquele dia, a improvisada pista de
cascalho da virtuosa cidade guaporense viu uma dezena de pequenos aviões
pousando e, depois decolando. A maioria dessas aeronaves seria dos empresários
que vinham acreditando no novo estado de Rondônia.
A temperatura logo caiu para 8 graus e
um frio ninado nas asas de um vento soprado lá do Sul, passando pelo pantanal, -
dizem que quase de 40 km – parecendo que um Alaska sentara praça, de forma
intensa e cruel, num barranco guaporense.
O coronel Teixeira estava eufórico,
contente, alegre e satisfeito!
O BERON todo inebriado celebrava a
primeira grande conquista: tornar-se pioneiro num município integrante da terra
que lhe serviu de berço.
Na gestão do grande timoneiro os
milagres aconteciam! Em menos de 20 dias, escolhemos um prédio, adaptamo-lo
para o modo bancário, decoramos o imóvel com bom gosto e criatividade – serviço
entregue ao Lucini Pinheiro e ao Masinho Tourinho – e a primeira sucursal, no
dia primeiro de junho de 1983, no dia do aniversário do governador, este
presenteou a população ordeira, esperançosa e agradecida daquela localidade
fronteiriça.

Faço
notar que, antes, empresários, pescadores, os servidores do INCRA, Professores
e professoras, demais funcionários do estado, da Ceron, para receberem seus
contra-cheques, efetivarem transações, tinham que viajar até Guajará-Mirim,
mais de 460 km, rios abaixo.
O primeiro gerente da representação
beroniana fora o competente administrador Natanael José da Silva, amigo que eu
fizera em Cuiabá e que, nos reencontrando aqui “Na Última Estrela Nos Céus da
União” muito concorreu para que, em tempo record, pudéssemos inaugurar esse
importante equipamento sócio-financeiro e desenvolvimentista àquela comunidade
tão carente.
Interessante é que o Paulo Carrate,
Carlos Azzi, Antônio Paes, o Cavalcante, a Maria da Paz (a Pazinha – hoje
empresária em Porto Velho), entre outros moradores da pequena urbe, como
voluntários, nos auxiliaram na montagem da Filial, sem auferir nada em troca.

E
tudo correu dentro do cerimonial previsto! Dona Ainda Fibiger de Oliveira,
primeira dama e a minha mulher Olgarina Saldanha, descerraram a fita, após o
que o governador fez eloquente discurso presenteando a população com esse mimo;
a filial do BERON.
Naqueles idos de 1983, o idealista, nacionalista, o administrador probo, sério, abnegado, visionário e talentoso conhecido nesta Amazônia de Deus como o TEIXEIRÃO, jamais poderia imaginar que, anos depois, outros governantes sem os pendores para a administração pública, deixariam o Banco morrer à míngua, enfraquecido e debilitado, inclusive e principalmente diante da incúria, omissão, imperícia e negligência do BACEN, que o esteve administrando...
Mas, no Brasil é assim: uns criam,
edificam, constroem, elevam templos à virtude; outros acabam destruindo o que
fora feito, fora implantado com denodo, altruísmo e sentido de brasilidade,
sempre se cultivando valores éticos, demonstrando acrisolado fervor, seja pela
honra de serem sérios e glorificados pelas missões recolhidas, cumpridas com
galhardia e lealdade institucional.
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