Quarta-feira, 15 de dezembro de 2021 - 11h02

Depois de três
quedas mensais seguidas, os comerciantes voltaram a apresentar otimismo no
fechamento do ano. Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio
(Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC), o indicador apresentou alta de 0,3% em dezembro, acumulando
elevação de 10,9% em 2021.
Na série
dessazonalizada, o Icec atingiu 120,3 pontos e permaneceu dentro da zona de
satisfação (acima dos 100 pontos), nível próximo ao registrado em abril de 2020
(120,7), período do início da pandemia de Covid-19. A elevação, no entanto, não
conseguiu compensar a queda de 13,2% verificada no ano passado.
O presidente da
CNC, José Roberto Tadros, lembra que, este ano, o índice apresentou queda em 8
dos 12 meses, refletindo a oscilação da confiança empresarial em conformidade
com a performance do mercado. “Foram dois períodos prolongados de diminuição:
os primeiros cinco meses e depois o trimestre de setembro a novembro. A
terceira onda da pandemia; dólar e preços altos; juros crescentes; baixa
capacidade de reação do mercado de trabalho e expectativas com o novo programa
de transferência de renda se encaixam no quadro de incertezas que influenciaram
o cenário", indica Tadros.
Expectativas
e cautela
Entre os três
componentes do Icec, apenas Condições Atuais do Empresário do Comércio
apresentou redução, de 2,3%, puxado para baixo pelo subíndice Economia, que
registrou queda de 5,1%. Já Intenções de Investimento cresceu 1,4% e
Expectativas do Empresário do Comércio, 1,2%.
O economista da
CNC responsável pela pesquisa, Antonio Everton, avalia que o crescimento da
confiança do comércio em dezembro pode estar relacionado às expectativas de
consumo nas festas de fim de ano. No entanto, os números da pesquisa e o baixo
percentual de aumento do Icec mostram prudência do planejamento empresarial.
"Apesar das
perspectivas de que boa parte do 13º salário seja direcionado para o consumo, é
importante considerar que as famílias estão bem endividadas e, simultaneamente,
as pressões sobre custos de produção do setor, como energia elétrica, fretes,
produtos mais caros e o recente aumento dos juros requerem atenção, sobretudo,
para a gestão dos estoques", alerta o economista.
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