Quarta-feira, 18 de março de 2026 - 10h26

A professora da rede pública
Kamila Carvalho de Aguiar Guimarães, egressa do Mestrado Profissional em
Educação Inclusiva em Rede da Universidade Federal de Rondônia (Profei/UNIR),
desenvolveu uma cartilha voltada à orientação de estudantes com Transtorno do
Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) que pretendem realizar o Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem).
A pesquisadora, que é mãe de um
adolescente com TDAH e dislexia, conta que se sentiu motivada a pesquisar sobre
acessibilidade no Enem e inclusão escolar após vivenciar dificuldades com seu
filho e com um aluno com TDAH que considerava desistir dos estudos no 3º ano do
Ensino Médio. Ela notou a falta de olhar diferenciado de professores e a
invisibilização do aluno, impulsionando-a a entender os direitos de
acessibilidade e desenvolver práticas em sala de aula.
“Como o TDAH é considerado um
transtorno e não uma deficiência, e somado ao fato de não ser um transtorno
visível, acaba dificultando o acesso a políticas públicas de inclusão. Então o
processo de interesse e pesquisa começou dentro do meu lar e se estendeu para a
sala de aula”, explica Kamila.
Cartilha - Exite acessibilidade no Enem? - Cartilha Orientativa para candidatos com TDAH

A pesquisa - O material é resultado da dissertação “Tecnologia Assistiva no Enem: o apoio a estudantes com TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade”, defendida em fevereiro de 2026, sob orientação da professora Zuila Guimarães Cova dos Santos. O estudo investiga as condições de acessibilidade e equidade oferecidas pelo exame a candidatos com TDAH, com ênfase no uso da tecnologia assistiva como estratégia de inclusão educacional, e também questiona a ausência de provas adaptadas.
A pesquisa foi desenvolvida em uma escola pública de ensino médio no município de Rolim de Moura (RO) e contou com a participação de seis estudantes diagnosticados com TDAH, matriculados no ensino médio e candidatos ao Enem. O trabalho analisa como características relacionadas à atenção, leitura, interpretação textual, organização e gestão do tempo podem impactar o desempenho desses estudantes em avaliações padronizadas de larga escala.

A cartilha - Como produto educacional do mestrado, Kamila elaborou uma cartilha informativa destinada a estudantes com TDAH, reunindo orientações sobre direitos dos candidatos, recursos de acessibilidade disponíveis no exame e dicas práticas que podem auxiliar nos estudos e na realização da prova.
O material é totalmente digital e interativo. Aborda temas como tempo adicional de prova, atendimento especializado, uso de tecnologias assistivas, métodos de estudo e orientações para estudantes e familiares, buscando ampliar o conhecimento sobre inclusão e equidade no acesso ao ensino superior.
A cartilha está disponível em um jornal eletrônico local (acesse aqui) e também foi distribuída em grupos de professores e de pais atípicos nas redes sociais. “Estou enviando essa cartilha para todas as pessoas e grupos que conheço com o objetivo de alcançar o maior público possível, pois ela é feita para todos os perfis: alunos, candidatos, pais, AEE e sociedade em geral”, disse a pesquisadora.
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