Porto Velho (RO) terça-feira, 16 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Educação

REVOLTA E INDIGNAÇÃO: Estão apagando a história da Escola Getúlio Vargas no bairro do Areal


Jornalista Adaides Batista – Dadá - Gente de Opinião
Jornalista Adaides Batista – Dadá

A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Getúlio Vargas, localizada no coração do bairro Areal, em Porto Velho, não é apenas um prédio antigo. É um símbolo de luta, educação e transformação social. Construída na década de 1970 e oficialmente registrada em 26 de fevereiro de 1981, a escola foi, durante muitos anos, referência no ensino público da capital.

Ali se formaram gerações. Ali funcionavam aulas nos três turnos — manhã, tarde e noite. Ali a comunidade vivia a escola em sua plenitude: esportes na quadra coberta aos fins de semana, fanfarras, jogos escolares, festas juninas, eventos culturais e cívicos. A escola pulsava. Era viva. Era patrimônio do povo.

E não se trata de memória vaga ou saudosismo. Trata-se de história concreta. Em 1971, quando Rondônia ainda era território federal, um aluno da própria Escola Getúlio Vargas, Adaídes Batista dos Santos — conhecido por todos como Dadá — foi escolhido Governador Mirim, superando candidatos da elite da época em um concurso escolar. Esse fato simboliza o verdadeiro papel que a escola sempre desempenhou: ser um espaço de oportunidade, onde filhos do povo podiam sonhar, crescer e vencer.

Mas o que fizeram com esse patrimônio coletivo?

Em 2023, retiraram a escola de sua comunidade, transferindo suas atividades para outra unidade e implantando o modelo cívico-militar. E qual foi o legado deixado ao bairro Areal? Nenhum benefício concreto. O que permaneceu foi o vazio, o abandono e o silêncio.

Hoje, o prédio da Escola Getúlio Vargas se encontra em estado de descaso. Há lixo na entrada, lixo em seu interior e sinais evidentes de deterioração. Um espaço que antes formava cidadãos foi transformado em depósito de materiais descartados de outras escolas. O que antes era instrumento de transformação social agora serve ao acúmulo de sucata.

Isso não pode ser chamado de gestão. Isso é desrespeito à memória coletiva, à educação pública e à própria comunidade que ajudou a construir essa história.

O mais grave é que prometeram reforma, valorização e recuperação do espaço. Dois mandatos se passaram, e nada foi feito. O abandono se prolonga, enquanto outras escolas tradicionais enfrentam o mesmo processo de esvaziamento e esquecimento.

A pergunta que permanece é inevitável: a quem interessa apagar a história do bairro Areal?

Vão permitir que a Escola Getúlio Vargas desabe, como já aconteceu com outros patrimônios públicos? Ou consumarão de vez esse processo de degradação, transformando um patrimônio histórico em depósito oficial?

A comunidade está cansada do silêncio. Cansada de promessas não cumpridas. Cansada de assistir, impotente, ao abandono de um espaço que ajudou a construir tantas vidas. E mais grave ainda: cansada da omissão de agentes públicos que conhecem a importância histórica da escola e, ainda assim, permanecem inertes.

Nós, ex-alunos, ex-professores e moradores do Areal, não aceitaremos esse apagamento histórico.

A Escola Getúlio Vargas não é apenas um prédio. É parte da nossa identidade, da memória do bairro Areal e da própria história de Porto Velho.

E seguiremos lutando para que ela volte a cumprir sua verdadeira missão: educar, formar cidadãos e servir à comunidade onde nasceu.

O bairro Areal vai se levantar e lutar contra o desrespeito à sua história. A comunidade não permitirá, em hipótese alguma, que a Escola Getúlio Vargas chegue ao ponto de ser demolida — intenção que, ao que tudo indica, parece estar em curso — como aconteceu com a Escola Samaritana.

Chega de descaso. A história da Getúlio Vargas merece respeito.

Augusto César Passos Cruz - Professor Municipal, Agitador Cultural, fundador e presidente do bloco carnavalesco “O Canto da Coruja”, morador do bairro do Areal e ex-aluno da Escola Getúlio Vargas

Gente de OpiniãoTerça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

XVIII Dia de Campo das Agrárias reúne acadêmicos, produtores e comunidade na Fazenda Escola FIMCA

XVIII Dia de Campo das Agrárias reúne acadêmicos, produtores e comunidade na Fazenda Escola FIMCA

A Fazenda Escola FIMCA recebeu neste sábado (13) a 18ª edição do Dia de Campo das Agrárias, evento que reuniu acadêmicos, professores, produtores ru

Liga Acadêmica de Geriatria e Gerontologia de Rondônia é fundada por acadêmicos de Medicina da Faculdade Metropolitana

Liga Acadêmica de Geriatria e Gerontologia de Rondônia é fundada por acadêmicos de Medicina da Faculdade Metropolitana

A Faculdade Metropolitana passa a contar com mais um importante projeto acadêmico voltado à formação médica e ao desenvolvimento científico. Fundada

Zona Norte celebra 10 anos de arte e cultura com Festival aberto à comunidade de Porto Velho

Zona Norte celebra 10 anos de arte e cultura com Festival aberto à comunidade de Porto Velho

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (IFRO), Campus Porto Velho Zona Norte, já está nos preparativos para realizar mais

Instituto Federal de Educação acata recomendação do MPF para aperfeiçoar editais de seleção em Rondônia

Instituto Federal de Educação acata recomendação do MPF para aperfeiçoar editais de seleção em Rondônia

O Instituto Federal de Educação de Rondônia (Ifro) informou ao Ministério Público Federal (MPF) que seus próximos editais de seleção poderão ter mei

Gente de Opinião Terça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)