Quarta-feira, 17 de junho de 2026 - 14h54

BELÉM (PA), JUNHO DE 2026 - A
programação da II Semana do Clima da Amazônia contará com uma extensa agenda de
eventos autogestionados, que ocorrerão nos dias 1 a 4 de julho de 2026, em
diferentes espaços de Belém e também em formato online. As atividades irão
reunir organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa, empresas,
coletivos, juventudes, povos indígenas, representantes do setor público e especialistas
para debater temas ligados à justiça climática, bioeconomia, saúde, direitos
humanos, sustentabilidade e transição energética. Empresas e instituições
interessadas em propor atividades podem realizar a inscrição por meio do site
https://semanadoclimaamazonia.com.br, onde também está disponível a programação
completa do evento.
Os eventos autogestionados
fazem parte da proposta da Semana do Clima de ampliar a participação social e
descentralizar os debates sobre o futuro da Amazônia, promovendo espaços de
diálogo conectados às realidades dos territórios amazônicos.
Entre os destaques da
programação está a série “ABC do Clima e Saúde”, promovida pela Afya Belém, com
encontros nos dias 1º e 2 de julho. As atividades abordarão temas como
prevenção de doenças relacionadas ao clima, impactos das escolhas alimentares
na saúde planetária e formas de adaptação às mudanças climáticas.
Outro tema em evidência será a
transição energética em territórios indígenas. O UNICEF e o Projeto Saúde &
Alegria promoverão uma atividade dedicada à apresentação de experiências
desenvolvidas nos territórios Yanomami, em Roraima, e Munduruku, no Pará.
A programação também contará
com debates sobre desenvolvimento territorial sustentável na Amazônia,
bioeconomia e protagonismo comunitário. Um dos eventos previstos é o “Programa
Corredor: Parcerias multissetoriais para impulsionar o desenvolvimento
territorial sustentável na Amazônia”, promovido pela Hydro, que reunirá
representantes de comunidades, empresas, governos e organizações parceiras.
Outro destaque será o evento
“Sociobioeconomia Viva: Povos e comunidades na liderança da transição justa nos
territórios”, organizado pela Secretaria Adjunta de Bioeconomia da Semas-PA, no
Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia. A atividade discutirá o papel das
populações amazônicas na construção de modelos sustentáveis de desenvolvimento.
As discussões sobre
bioeconomia também estarão presentes na “Edição BioBusiness na Semana do Clima
da Amazônia”, promovida pela Semas-PA, voltada ao fortalecimento do diálogo
entre capital, inteligência territorial e negócios sustentáveis.
A programação incluirá ainda
atividades voltadas à infraestrutura sustentável e aos desafios logísticos da
floresta, como o evento “A Infraestrutura Invisível da Floresta em Pé”, promovido
pelo Fundo Vale no Instituto Tecnológico Vale (ITV), que discutirá gargalos
relacionados à bioeconomia amazônica, como perdas pós-colheita e desafios
estruturais para cadeias produtivas da floresta.
A juventude amazônica também
terá protagonismo em diferentes agendas da programação. Entre elas está o
encontro “Juventude, meio ambiente e terreiro: luta dos povos de terreiro
acreanos”, realizado em formato online, promovendo debates sobre justiça
socioambiental, juventude e valorização de saberes tradicionais.
Também serão realizados
debates sobre moradia, justiça climática e preservação ambiental, como o evento
“Juventudes da Amazônia entre o Direito à Moradia e a Justiça Climática:
experiências de Roraima em áreas de preservação permanente”, promovido pelo
Coletivo Jucia.
A programação do dia 3 de
julho contará ainda com atividades voltadas à saúde mental e aos impactos da
crise climática sobre as juventudes indígenas, como o evento online “O Peso do
Clima: Saúde Mental e o Futuro das Juventudes Indígenas”, promovido pelo
Instituto Witoto.
Outras agendas previstas
incluem discussões sobre acesso à política pública para jovens agricultores da
Amazônia Legal, com o evento “Acesso ao PRONAF Jovem: Caminho para a
Transformação da Agricultura Familiar na Amazônia Legal”, além do encontro
“Renovando o presente: da transição energética à resiliência nas novas
cidades”, promovido pelo COJOVEM.
A agenda ainda abrirá espaço
para debates relacionados a direitos humanos, sustentabilidade e justiça
climática, com atividades como o “Festival +DH 2026”, do Instituto Ethos, e
“Diálogos sobre Desenvolvimento, Direitos Humanos e Sustentabilidade”,
promovido pela UNIQUITA.
Outro destaque será a
atividade “Bússola para o Desenvolvimento Sustentável: conversa, troca e construção
conjunta”, promovida pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), com
debates sobre propostas socioambientais e construção coletiva de soluções para
o país.
A programação inclui ainda o
evento “Rota 26-30: ações prioritárias para 5 grandes debates para as
Amazônias”, promovido pela Uma Concertação pela Amazônia, que propõe reflexões
sobre caminhos estratégicos para o futuro da região.
Além das atividades
presenciais em espaços como o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia,
ITV, Afya Belém e CESUPA, parte da programação será realizada de forma virtual,
ampliando o alcance dos debates e permitindo a participação de diferentes
territórios amazônicos.
Os eventos autogestionados
integram a programação oficial da II Semana do Clima da Amazônia, que ocorrerá
entre os dias 29 de junho e 4 de julho de 2026, em Belém.
Primeiro encontro climático
após a COP30
A programação reunirá
representantes do setor privado, agentes públicos, pesquisadores, organizações
da sociedade civil e lideranças em diferentes espaços de Belém para debater
caminhos voltados à sustentabilidade, justiça climática e desenvolvimento
regenerativo. Entre os objetivos da edição de 2026 estão o monitoramento dos
compromissos firmados durante a COP30, a conexão entre lideranças globais e
amazônicas, a atração de novos investimentos regenerativos e o fortalecimento
da participação de juventudes, mulheres e povos originários no centro das
discussões climáticas.
Segundo Lucimar Souza,
diretora de Desenvolvimento Territorial do Instituto de Pesquisa Ambiental da
Amazônia (IPAM), um dos correalizadores, a II Semana do Clima da Amazônia surge
como um espaço fundamental para ampliar a participação da população amazônica
nas discussões globais sobre mudanças climáticas.
“O principal legado da
primeira edição foi trazer de forma estruturada para a Amazônia o debate sobre
clima e a busca por soluções para os desafios da região. Durante muito tempo,
as pessoas ouviam falar das Semanas do Clima acontecendo em outros países, e
realizar esse encontro em Belém permitiu ampliar a participação da população
amazônica nesse debate”, destacou. A diretora também ressaltou que o evento
busca fortalecer o protagonismo regional ao criar espaços de escuta, diálogo e
proposição de soluções conectadas à realidade amazônica. “Além de discutir os
desafios, a Semana do Clima também é um espaço de aprendizagem sobre o debate
climático global, ajudando mais pessoas a compreenderem a importância desse
tema”, afirmou.
A II Semana do Clima da
Amazônia será estruturada em seis eixos temáticos da Agenda de Ação da COP30,
considerados estratégicos para o futuro da floresta e da humanidade. O primeiro
abordará os compromissos pós-COP30 e os chamados “Mapas do Caminho”, com
debates sobre transição energética justa, afastamento dos combustíveis fósseis,
adaptação climática e cooperação entre florestas tropicais.
Outro eixo será voltado às
economias regenerativas e à sociobioeconomia, com discussões sobre soluções
baseadas na natureza, restauração florestal, cadeias produtivas da
biodiversidade e financiamento climático. Também haverá espaço para debates
sobre direitos territoriais, protagonismo de juventudes e povos originários,
enfrentamento ao racismo ambiental e fortalecimento da cidadania. A programação ainda incluirá painéis sobre
ciência, inovação e impactos das mudanças climáticas na saúde.
Entre as agendas previstas
está a “Mesa Executiva da Bioeconomia – Beneficiamento do Açaí”, com a
Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas-PA),
programada para o dia 1º de julho, no Parque de Bioeconomia e Inovação da
Amazônia (PBIA). A atividade terá como tema “Açaí Amazônico: saúde, nutrição e
novas aplicações” e reunirá especialistas, pesquisadores, chefs, comunicadores
e representantes da cadeia produtiva para discutir o potencial do açaí
amazônico como alimento funcional, suas aplicações culinárias e industriais,
além de estratégias para ampliar sua presença no mercado nacional e
internacional. A agenda também contará com degustações, apresentações empresariais
e visita técnica a unidades de beneficiamento do produto.
Sobre a Semana do Clima
O projeto reúne um amplo
conjunto de organizações públicas, privadas e da sociedade civil com o
propósito de debater soluções e propor ações estruturantes para enfrentar
desafios ambientais, sociais, econômicos e culturais da Amazônia. A iniciativa
busca fortalecer uma visão de longo prazo para a região, alinhando políticas
públicas e iniciativas privadas em prol de um desenvolvimento sustentável que
equilibre conservação ambiental, geração de renda e bem-estar das populações
locais. Além disso, a programação coloca a Amazônia no contexto global das
mudanças climáticas, destacando a importância da integração de esforços para a
proteção desse bioma fundamental para o equilíbrio do planeta. A proposta é que
a Semana do Clima da Amazônia aconteça anualmente, se expandindo para os demais
estados da Amazônia Brasileira, fortalecendo a mobilização, o diálogo e a
construção de soluções a partir dos territórios.
A primeira edição da Semana do
Clima da Amazônia, realizada em 2025, demonstrou a dimensão e o impacto do
evento ao reunir mais de 4 mil participantes, promover mais de 100 horas de
programação e realizar mais de 35 eventos em Belém, contando ainda com a
participação de mais de 30 organizações parceiras.
A edição de 2026 contará com
patrocínio das empresas Hydro e Vale. O evento também reúne uma ampla rede de
correalizadores, entre eles Afya, ASSOBIO, BRC Biodiversity Research
Consortium, Certi, CESUPA, Cojovem, Conselho Nacional das Populações
Extrativistas (CNS), Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da
Amazônia Legal, CONTAG, Embrapa, Emergent, FIEPA, Governo do Estado /
Secretaria do Meio Ambiente do Pará, Hydro, Instituto Clima e Sociedade (ICS),
Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), Instituto Ethos de Empresas e
Responsabilidade Social, Instituto Peabiru, IPAM Amazônia, Instituto
Sincronicidade (ISPIS), Instituto Tecnológico Vale (ITV), Museu Emílio Goeldi,
Natura, Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, Plataforma Parceiros pela
Amazônia (PPA), Prefeitura de Belém, Projeto Guardiãs da Floresta, Projeto
Saúde & Alegria (PSA), Rede de Trabalho Amazônico - GTA, Saint-Gobain, Uma
Concertação pela Amazônia e Vale.
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