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Meio Ambiente

Caravana das Águas protesta contra construção de porto



Adital - Com o objetivo de tornar o Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões, localizado na Amazônia brasileira, um Patrimônio da Humanidade, a Comunidade da Colônia Antônio Aleixo, situada na zona leste de Manaus, junto a acadêmicos e organizações sociais, está realizando uma série de atividades para impedir que um terminal portuário seja construído no local.

Ontem (22), o S.O.S Encontro das Águas organizou a 3ª Caravana das Águas que contou com a participação de moradores da comunidade e simpatizantes da causa. "A Caravana foi um tributo às águas realizado pelas comunidades em celebração ao Dia Mundial da Água. A manifestação foi capitaneada pelas associações de mulheres da comunidade em parceria com os pescadores. Em vez de jogar lixo no Lago do Aleixo como fazem as empresas, jogamos rosas", afirma o professor Ademir Ramos, coordenador do Núcleo de Cultura Política da Universidade Federal do Amazonas.

O projeto do terminal portuário que a empresa Log-in Logística Intermodal pretende implementar é bem ambicioso. O pátio vai ocupar mais de 100 mil m² de área, com capacidade para atender 250 mil unidades de contêineres. A comunidade denuncia que a construção do porto pode destruir seu recurso pesqueiro, afetando diretamente a qualidade da água, além de destruir os sítios arqueológicos das Lajes.

"Não somos contra a construção do porto, somos contra a localização dele. O porto será construído a menos de mil metros do Encontro das Águas numa área de 600 mil m². Serão quatro balsas flutuantes com pontes aéreas para escoar os produtos. Dá para imaginar o tamanho da violência que vai atingir o Encontro das Águas, que é um berçário para peixes e faz parte da cadeia alimentar de pássaros e outros animais. Além disso, haverá grande impacto na identidade cultural do lugar e em seu paisagismo", ressalta o professor.

O S.O.S Encontro das Águas tem à frente os comunitários do Lago do Aleixo, sob a direção do Movimento de Reintegração dos Hansenianos (MORHAN), integrantes do Comitê Gestor da Comunidade Colônia Antonio Aleixo, formado por 12 associações. Na Colônia Antônio Aleixo, se situava o antigo leprosário de Manaus. Na localidade, vivem cerca de 40 mil pessoas. Aproximadamente 700 hansenianos moram no local.

Segundo o professor Ademir, o movimento luta em três frentes: "Primeiro, tentamos fortalecer a comunidade para que não se deixe cooptar pela empresa, que já está comprando alguns moradores e colocando católicos contra evangélicos, ao afirmar que a Igreja Católica é contra o progresso. Também acompanhamos o processo nas instâncias jurídicas com denúncias ante o Ministério Público Estadual e o Federal. E, por último, estamos lutando no campo político com a formação de frentes parlamentares na Câmara Municipal de Manaus, bem como articulações no Senado Federal".

Entre as atividades previstas, o professor destaca a realização de um seminário, na próxima sexta-feira (27), com a participação dos moradores da Colônia, de intelectuais e de movimentos sociais, cujo tema será "Desenvolvimento Sustentável sim, depredação não!". Também está programada uma audiência na Assembléia Legislativa do Estado para debater sobre a construção do porto, marcada para o dia 14 de abril.

O movimento também realiza um abaixo-assinado on-line. A ideia é entregar o documento ao ministro da Cultura solicitando o tombamento do Encontro das Águas como Patrimônio da Humanidade de Manaus.

O documento pode ser acessado em: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3906

Fonte: ADITAL

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