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Cooperativismo e sustentabilidade: o legado que transforma resíduos em dignidade em Rondônia


Cooperativismo e sustentabilidade: o legado que transforma resíduos em dignidade em Rondônia - Gente de Opinião

Ji-Paraná, RO — O desenvolvimento econômico ganha um significado muito mais profundo quando deixa de apenas atender a emergências e passa a fixar oportunidades reais de transformação de vidas nas comunidades. Em Rondônia, esse impacto permanente tem nome e sobrenome: cooperativismo e inclusão produtiva.

Durante a 13ª Rondônia Rural Show Internacional (RRSI), em Ji-Paraná, ações coordenadas pelo governo de Rondônia e impulsionadas por parcerias de peso como o Sebrae Rondônia, por meio do projeto Pró-Catadores, idealizado pelo Sebrae Nacional (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), ganharam destaque. A iniciativa, que teve a adesão pioneira do Sebrae no estado em 2025, também durante a maior feira do agronegócio da Região Norte, foca no fortalecimento da cadeia produtiva dos catadores de materiais recicláveis. A estratégia mostra, na prática, de que forma a união de pessoas em torno de um objetivo comum pode gerar emprego, renda e preservação ambiental.

Cooperativismo na Prática

Um dos grandes destaques de sustentabilidade e impacto social do Projeto Pró-Catadores é a atuação da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Ji-Paraná (Coocamarji), que está em tratativas para se integrar ao Sistema OCB/RO - Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Rondônia. 

A Secretaria de Estado da Mulher, da Família, da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas), responsável pelas ações de coleta seletiva e fomento à geração de renda para esses profissionais, contratou a cooperativa para gerenciar os resíduos durante a 13ª Rondônia Rural Show Internacional (RRSI), em Ji-Paraná. A atuação da Coocamarji ilustra perfeitamente o lema de que o cooperativismo promove um desenvolvimento que de fato se fixa no território — neste caso, a região central do estado.

Cooperativismo e sustentabilidade: o legado que transforma resíduos em dignidade em Rondônia - Gente de Opinião

A operação da cooperativa na RRSI demonstra uma capacidade técnica e organizacional robusta. De acordo com Celso Luiz Moulaz, o espaço teve grande visibilidade:

“O estande virou vitrine e recebeu a visita de diversas autoridades, empresários e estudantes que vieram conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela Coocamarji, cooperativas e associações de catadores de diversos municípios de Rondônia.”

Com uma estrutura completa, a cooperativa ficou responsável desde a montagem e desmontagem do Centro de Triagem até a coleta e destinação adequada dos resíduos. Foram disponibilizadas 300 lixeiras exclusivas para o descarte correto e maquinários especializados, como prensas, para a compactação e armazenamento dos recicláveis.

Os resultados surpreendem e traduzem a força do trabalho coletivo em números expressivos: ao longo dos seis dias de evento, No total 11.900 quilos de materiais foram coletados, sendo 6.480 quilos recicláveis, ou seja 54,45%. O aproveitamento este ano foi melhor que no ano passado, que totalizou 5.614 quilos de material reciclável retirado do meio ambiente. Além de otimizar a triagem, a iniciativa funciona de forma solidária, integrando catadores de diferentes cooperativas de Rondônia e expandindo a geração de renda no setor.

"Estar aqui na feira, com a estrutura e a segurança adequadas, muda tudo para nós. O material que muita gente joga fora é o sustento das nossas famílias. Trabalhar de forma organizada e cooperativa nos traz o orgulho de saber que estamos limpando o meio ambiente e construindo o nosso próprio futuro com dignidade", relata Lucineide Santos, da Recicoop de Rolim de Moura, uma das catadoras cooperadas na ação.

Sebrae e o Fortalecimento de Redes Sustentáveis

Lucineide Santos, da Recicoop de Rolim de Moura - Gente de Opinião
Lucineide Santos, da Recicoop de Rolim de Moura

O sucesso de cooperativas como a Coocamarji não acontece de forma isolada. Ele é fruto de uma política pública estruturada de Economia Solidária que conta com o apoio fundamental do Sebrae. De acordo com a gestora do projeto Pró-Catadores, Priscilla Salierno, o estande de triagem instalado na feira representa uma iniciativa vital para alinhar a gestão de resíduos ao impacto social positivo em um evento de grande porte.

"Além de estruturar a destinação correta dos resíduos e evidenciar o protagonismo dos catadores, a iniciativa desperta o público para a sustentabilidade. Esse ano além de ter aumentado a quantidade total coletada, a proporção de material reciclável foi maior, ou seja a conscientização das pessoas na feira, para fazer o descarte correto dos resíduos, melhorou. O resultado é o fortalecimento de uma agenda de desenvolvimento que concilia, na prática, responsabilidade ecológica e justiça social", destaca a gestora.

O legado que fica

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O modelo cooperativista segue consolidando sua marca em Rondônia, provando que esse formato não é apenas uma onda, mas uma força que permanece. Longe de trazer apenas um crescimento passageiro, o cooperativismo constrói alicerces profundos para o desenvolvimento regional. Para o presidente da OCB/RO, Salatiel Rodrigues, “onde há uma cooperativa forte, onde os cooperados são os proprietários da empresa os resultados deixam de ser temporários e se tornam permanentes, gerando oportunidades contínuas, impulsionando pessoas e valorizando o coletivo”, ressaltou.

A grande lição da RRSI é clara: a economia local se fortalece de forma consistente e duradoura quando políticas públicas e instituições investem juntas no maior patrimônio de uma região: o seu povo. É assim que se constroem comunidades mais resilientes, sustentáveis e verdadeiramente preparadas para o futuro.

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