Domingo, 24 de agosto de 2008 - 21h33
Os dois últimos dias tiveram a menor visibilidade horizontal desde setembro do ano passado na capital de Rondônia. A boa noticia é que uma frente-fria está prevista para chegar ao final de semana.
Daniel Panobianco – Porto Velho teve um sábado e domingo insuportável no que se refere à visibilidade horizontal como resposta da quantidade de focos de queimadas registradas entre o norte de Rondônia e o sul de Amazonas. Por mais de 24 horas seguidas, a visibilidade no Aeroporto Internacional Governador Jorge Teixeira de Oliveira ficou restrita a menos de 4 mil metros, valor considerado como Estado de Emergência pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Entre as 7 e 10 horas (local), dados de METAR indicaram visibilidade na pista de apenas 1000 metros, quando o valor mínimo de segurança é de 1600 metros, mesmo assim com operações por instrumentos em pousos e decolagens.
Desde o inicio de setembro do ano passado, a capital de Rondônia não registrava um período de visibilidade tão restrita, com marcas fora dos padrões de segurança para a aviação.
O perigo – mais visto pelo transporte aeroviário – também é motivo de preocupação para Marinha, com embarcações que sobem e descem o rio Madeira, principalmente no período noturno e para a Policia Rodoviária Federal, que registra um aumento considerável no número de acidentes nesta época do ano. Em 2007, a falta de visibilidade ocasionada pelas queimadas foi a causa de um grande acidente, com engavetamento de 7 veículos entre carros e caminhões de carga na rodovia BR-364 entre Vilhena-RO e Comodoro-MT. Naquele dia, a visibilidade no final da madrugada observada no aeroporto de Vilhena era de menos de 100 metros.
As queimadas em 2008 estão abaixo do valor registrado no ano passado no mesmo período, mas ao invés de governantes comemorarem a redução através da imprensa local, deveriam aumentar a fiscalização em áreas que estão pegando fogo há dias.
Os satélites do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam para focos, inclusive, em áreas indígenas e parques estaduais e nacionais, como a Floresta Nacional do Bom Futuro, dentro do município de Porto Velho. Nesta localidade, desde quarta-feira que os satélites registram focos de queimadas que só tem aumentado com o período de seca. No restante do Estado também há queimadas, embora a fumaça esteja bem menos intensa que no ano passado.
Em Vilhena, por exemplo, em agosto de 2007, dos 31 dias do mês, 23 tiveram visibilidade mínima de menos de 3 mil metros, com registro de fumo ou fumaça a partir de dados de METAR. Em 2008, apenas um dia teve visibilidade mínima de 8 mil metros.
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