Sexta-feira, 6 de junho de 2008 - 16h23
As ações federais de combate ao desmatamento na Amazônia serão intensificadas, já a partir dos próximos dias, para enfrentar o período de estiagem, quando as práticas desses crimes ambientais ficam favorecidas. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, se reuniu com o diretor da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, para definir o cronograma da terceira etapa da Operação Arco de Fogo e anunciou que ela passará a contar, além de agentes da Polícia Federal e do Ibama, com o apoio de policiais rodoviários e do Exército, que será chamado especialmente para prestar apoio logístico no transporte, armazenamento e guarda, em suas instalações, dos bens ilegais madeira, grãos ou gado que venham a ser apreendidos.
Nesta nova fase da operação de repressão aos crimes ambientais na Amazônia serão fiscalizadas as vias de escoamento de produção - estradas, especialmente nos entroncamentos, e hidrovias - e as indústrias - madeireiras, frigoríficos e siderúrgicas. O ministro recomendou ao chefe da PF que dê prioridade a grandes operações e casos exemplares.
Minc anunciou também que negociará acordos de cooperação entre o MMA e os estados de Rondônia e do Mato Grosso, nos moldes do que já existe com o governo do Pará, que desde março apóia as operações federais e tem se encarregado do transporte e o leilão da madeira ilegal apreendida. A venda desses produtos ajudará a custear todas as intervenções policiais na Região. O ministro citou o exemplo do leilão da madeira de Tailândia, no estado do Pará, onde a venda de apenas 10% do produto apreendido arrecadou o equivalente ao custo total da operação.
O ministro não acredita em dificuldades para firmar esses acordos. "O presidente Lula ordenou que trabalhássemos em conjunto. E ordem do presidente ninguém discute", assegurou. Ele espera conseguir também a adesão dos empresários do setor frigorífico, como já fazem os beneficiadores de soja, para não abaterem gado proveniente de pastagens ilegais, hoje as principais responsáveis pelo desmatamento do bioma Amazônia.
Na primeira audiência com o ministro Carlos Minc, Luiz Fernando Corrêa fez um relato do trabalho que já foi realizado na Amazônia e apresentou os últimos números da Operação Arco de Fogo. Desde março os agentes federais e os fiscais do Ibama embargaram 359 áreas, que somam 63 mil ha de terra; apreenderam 79.300 m3 de madeira em tora e 26.700 m3 de madeira processada ilegalmente em serrarias; e aplicaram R$ 361 milhões em multas.
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