Sábado, 15 de novembro de 2025 - 13h16

Embora hilário e muito adequado às
características conhecidas dos personagens desse diálogo, não consta que de
fato ele tenha ocorrido. Nancy Astor, primeira mulher eleita para o parlamento
britânico, e Winston Churchill, festejado e polêmico primeiro ministro, foram
exaustivamente explorados pelo anedotário político do velho continente, da mesma
forma que inúmeras outras personalidades, em função de fama e méritos
acumulados ao longo da existência.
São as chamadas “mentirinhas inocentes”, geralmente exploradas
nas tribunas por quem adota grandes mentiras como plataforma política. As tais
fake news, tão ao gosto das redes sociais. É por elas que mentiras úteis
substituem verdades incômodas na busca de projeção eleitoral. Embora
transitórias e fugazes, elas mantêm os autores em evidência. Desmascaradas, são
esquecidas e rapidamente substituídas. Por isso é que sobrevive politicamente
gente que posa de intelectual, mas confunde “O Príncipe”, de Maquiavel, com “O
Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry.
É extremamente difícil o combate à disseminação de mentiras na
internet, tarefa que deveria ser de responsabilidade da imprensa, embora
diversos fatores estimulem a adesão, até porque é comprovadamente lucrativa,
como se observa com a proliferação de sites “informativos” em Porto Velho.
Poucos se atrevem, como o “Gente de
Opinião”, a manter, como princípio editorial, a cuidadosa seleção de seus
inúmeros colaboradores pelo critério de seriedade. A ponto de obter o
reconhecimento, nesse sentido, daquela parcela de público mais exigente, que
consulta o portal como referência para aquilatar a veracidade da notícia.
Felizmente não é o único, nem possui a prerrogativa de estar
integralmente infenso. Mas seu faturamento é limitado por sua opção editorial
pela verdade. Isso porque, como atesta o filósofo americano David Livingstone
Smith, o ser humano é mentiroso por natureza: “a mentira é o pilar das relações
sociais”. Ele diz que todos somos “programados” para enganar desde os
primórdios da humanidade, seja para nos proteger, seja para levar vantagem.
O exemplo clássico do mentiroso é o político, que mente por profissão
– afirma David Smith em seu livro “Porque mentimos?” - “No princípio havia a mentira - assim podemos constatar na história de
Adão e Eva. A mentira encontra-se na raiz de nossa herança cultural. A
necessidade de enganar - inclusive a nós mesmos - vai de um extremo a outro de
nossa cultura, de Rei Lear a Chapeuzinho Vermelho. Essas histórias, recheadas
de invenções, são interessantes exatamente por satisfazerem a necessidade
humana de mentir”.
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