Domingo, 29 de junho de 2025 - 08h09

Calma
lá! Não é de
minha lavra o despautério aí de cima. Quem disse isso foi o imortal Merval
Pereira, 75 anos, presidente da ABL e colunista de O Globo. Reproduzo o título
de seu artigo de sexta-feira mais pelo que sugere do que efetivamente diz. É
como uma ameaça de Benjamim Netanyahu aos sobreviventes famélicos da faixa de
Gaza: - “Fiquem quietos, pois tudo pode piorar”.
Merval
Pereira não
conseguiu refrear o que parece ser a sedução de imortalizar-se como
“imorrível”, à semelhança daquele outro, que somente passa a merecer citação a
partir da sentença condenatória no STF. O colunista ainda vaticinou: - “É
difícil, quase impossível que o Congresso volte atrás, pela maneira como foi
feita e com a vitória avassaladora. A única maneira é a negociação de um corte
de gastos”.
Claro
que ele não diz
onde cortar, mas pensa claramente no óbvio: começa pelo congelamento do salário
mínimo, aposentadorias, bolsa família e benefícios sociais. Além da sempre
presente desvinculação da saúde e educação. E o Imposto de Renda fica como
está! Que negócio é esse de isenção para quem recebe até R$ 5 mil? Querem
destruir o país? Nem ao menos lhe ocorre a possibilidade de cobrar IR dos
ricos, que hoje pagam 2,5%, enquanto uma pessoa que ganha R$ 4 mil paga 15% de
imposto, e quem recebe R$ 5 mil, 22,5%.
Ajusta-se
aqui, à
perfeição, ao pensamento do presidente do “clube dos imortais” a resposta do
jovem poeta Antero de Quental a um crítico já avançado em anos, por uma
observação tola sobre a geração de novos poetas: - "Levanto-me quando os
cabelos brancos de v. ex.ª passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que
está debaixo e as garridas e pequeninas cousas, que saem dele, confesso não me
merecerem nem admiração nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho
desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V. ex.ª precisa menos
cinquenta anos de idade, ou então mais cinquenta de reflexão”.
Na
verdade, o
enfrentamento é a única alternativa que resta ao governo. Deputados e senadores
não estão preocupados com a economia. Nem poderiam, pois todos os indicativos
são favoráveis ao governo. E o país continua a crescer, mesmo com os juros nas
alturas, com sucessivos recordes na queda do desemprego, inflação um pouco
elevada, mas sob controle, e aumento real do salário mínimo bem acima da
inflação.
O
que apavora de
verdade os nobres parlamentares é o STF, com destaque para o ministro Flávio
Dino, por conta das emendas parlamentares. Já não é tanto pela perspectiva de
acabar com a distribuição futura das emendas parlamentares. O que apavora mesmo
é a investigação da PF das emendas passadas, considerável parcela das quais foi
dirigida aos bolsos ávidos de suas excelências.
Consta
que estão sendo
investigados, pela Polícia Federal, 82 “representantes do povo”, uma bancada
expressiva. Por isso vão continuar a fustigar o governo, na esperança de que
Lula controle seu ex-ministro da Justiça. Lula não tem esse poder. Dino não é
Nunes Marques ou André Mendonça, os tais 20% da corte que Bolsonaro diz
controlar.
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