Quarta-feira, 20 de março de 2024 - 11h20

Lula está certo ao cobrar dos ministros a lembrança de
que há um governo central no comando dos diversos órgãos da administração. E
que embora cada um tenha contas a prestar ao partido que o indicou, é preciso
dar o devido crédito ao governo central, de onde sai o dinheiro. Não poderia,
nem precisaria, ser mais claro.
A espinafrada geral no ministério decorre da queda de
popularidade do governo que, convenha-se, acerta muito mais do que erra. Mas a
conjunção de pequenos erros, aliada à precariedade do sistema de comunicação e
à competência da oposição tem deixado o presidente ainda mais rouco de
preocupação.
E não é para menos. As eleições municipais estão logo
ali. Os partidos da base aliada podem até se sair bem. Mas o que isso significa
para o governo central? Tome-se como exemplo o caso de Rondônia, no mínimo
emblemático: o governo federal prevê investimentos da ordem de R$ 5 bilhões do
novo PAC somente na infraestrutura de transportes. E quanto vale isso em votos
para o governo federal e até mesmo para o MDB, que controla o ministério?
Se você disse “nada!” está perto da verdade. Até
porque todos os partidos abocanham um naco desse bolo, especialmente o governo
do estado. Menos o MDB e o presidente. Após o puxão de orelhas presidencial
certamente o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB) aparecerá em breve por
aqui. Mas, passada a visita, tudo voltará ao imobilismo atual, cada qual
interessado na própria vida, no próprio umbigo. E o conjunto que se exploda!
Um deputado federal que destine uma pequena emenda
para a construção de uma praça faz um escarcéu danado para apregoar o feito no
estado inteiro. Mas o governo federal anuncia a construção da ponte binacional
em Guajará Mirim e quem fatura eleitoralmente é o governador, que inclusive
quer assumir a paternidade do projeto, elaborado há mais de uma década por
iniciativa do ex-deputado Miguel de Souza, quando diretor de Planejamento do
DNIT nacional.
O certo é que, com isso, o MDB de Rondônia está cada
vez mais distante dos dias de glória, do protagonismo no comando do estado. Sujeita-se
hoje à tentativa de figurar como mero coadjuvante na disputa eleitoral. E
arrisca-se a não eleger um único vereador na capital do estado que ajudou a
consolidar.
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