Domingo, 11 de fevereiro de 2024 - 11h56

Sempre me
comovo ao observar o encontro das águas, que, no caso rondoniense, são os
beijos gelados entre os rios Guaporé e Mamoré e deste com o rio Pacaás Novos,
aqui de mim tão próximo.
E essas
estradas líquidas, que não se misturam, por muitos metros caminham conversando
como dois bons amigos, um contando anedotas para o outro, e esse um, desejando
um papo mais cabeça, vai descendo sério na sua “caudalosidade” em direção a sua
finitude, misturando-se a outras águas, como as do Beni, inclusive as do
Amazonas, no rumo do Atlântico.
Esse
cenário acrescentado pelos botos cor de rosa e tucuxi vai encantando e
inebriando as pessoas sensíveis, em nome da natureza sempre tão pródiga e
comovente!
Vira
exuberante atração turística!
E naquele
diálogo em que os rios, enquanto desfilam majestosamente na passarela líquida
da imensidão amazônica, sem se engalfinharem, sem se misturarem, tem na
diferença de composição, temperatura de suas águas e densidade a razão de
caminharem lado a lado, perdoando-se mutuamente nos seus contrastes, sem
brigas, agressões e sem vilipêndios.
Seriam
exemplos de maturidade para nós, humanos!...
Há quem
diga que os rios Mamoré e Guaporé teriam sido visitados ainda nos idos dos anos
1500, quarenta anos depois da descoberta do Brasil pelos portugueses, posto que
entre 1541 e 1542 o espanhol Nuflo de Chávez alcançou esses dois rios.
Porém há
registros dando conta de que, ainda no século XVII, o bandeirante Antônio
Raposo Tavares, entre 1648 e 1651, numa viagem épica desde São Paulo, transitou
pelo rio Paraná, navegou pelo rio Paraguai e correndo riscos com as onças,
sucuris, cascavéis e índios revoltados, a exemplo dos Nhambiquaras, chegou e
desceu o rio Guaporé, passando pelo encontro do Pacaás Novos com o Mamoré,
venceu as dezoito cachoeiras entre dois pontos que, um dia, se chamariam
Guajará-Mirim e Porto Velho, e enfim chegou a Belém do Pará.
Agora, no instante em que me permito, embora leigo, transitar
pelas atividades dos geógrafos, geólogos, hidrogeólogos e/ou hidrógrafos e,
numa avaliação in locco quando vi a “tal
nascente” do rio Madeira e, com a percepção de que no estuário dos rios Beni e
Mamoré, ter observado que ao Mamoré caberia o domínio naquele cenário... acabei
sonhando com a falácia de que o rio madeira bem que poderia ser a continuidade
do rio Mamoré. Ledo Ivo (perdão!) Ledo engano!
E cheguei a imaginar que, na época da decisão histórica de
se dar nome ao rio Madeira o Madre de Dios/Beni era bem mais conhecido que o
Mamoré. E aí inventaram um novo nome para uma via que bem que poderia seguir
com o nome original: MAMORÉ.
Ocorre que, a verdade por mim sonhada, jamais se
concretizaria posto o rio Madeira ser formado pela bacia do Madre de Dios/Beni,
de quem o Madeirão guarda as características morfológicas e hidrológicas.
Mas,
voltemos aos rios de águas barrentas para dizer que nessa trajetória trazem
nutrientes que Deus, seus arcanjos, anjos, querubins e serafins disponibilizam
na geração de mais vida, mais alimento para os viventes moradores dos leitos
aquáticos.
E esse
Mamoré que tanto amo e venero tem seus lundus (Amuo, zanga; calundu). É que entre abril e setembro, em protesto contra o
frio que vem do Sul, responde com aspereza, cria banzeiros e oladas, que
afundam embarcaçõies, notadamente nos seus encontros com outros rios destas
terras lindeiras.
O rio
Beni, que nasce soberano nos Andes da Bolívia, percorrerá cerca de
Todavia, em
função das minhas afinidades com o rio fronteiriço, o Mamoré, numa visão leiga,
lanço o meu olhar do como eu gostaria de ver admitida a idéia de que o Madeira
seria a extensão do rio Mamoré e não do Madre
de Dios/Beni.
Como eu
gostaria de recolher a afirmação de que, se fosse (mas não é) a verdade
geográfica mais perfeita, em extensão, o Mamoré/Madeira, seria UM a continuidade
do OUTRO e não o prosseguimento do Beni! E, nesse meu sonho sonhado, um
veeemente desejo insano, o Mamoré/Madeira com seus
E o
quarto entre os maiores rios brasileiros.
Mas, para
consolo das criaturas racionais, reconheço que a verdade técnica se traduz como
o rio Madeira sendo a continuidade dos rios Madre de Dios/Beni.
Até prova
em contrário!...
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