Sábado, 22 de outubro de 2016 - 17h14
Em Guajará-Mirim, assim como nas demais cidades, há ruas com nomes de pessoas que, lá atrás, foram importantes e contribuíram para a afirmação geopolítica e sócio-econômica destas plagas, como exemplo o Doutor Mendonça Lima, Leopoldo de Matos e Quintino Bocaiúva.
Há pessoas que me perguntam sobre “quem foi”, “quando foi”, “de onde era”, “em que fase passou a ser morador de Guajará”. Não revelo possuir pendores para contribuir com a História. Assim, eis que me coloquei em campo e procurei fazer pesquisas.
Escolhi a esmo Leopoldo de Matos, nome de uma das principais artérias de nossa cidade. Descobri que, como coronel do Exército, foi assessor do Governador de Mato Grosso e muito contribuiu para que os limites deste município fossem definidos, quando o mesmo foi elevado à categoria de vila, sendo um dos autores da Lei Estadual/MT nº 566, de 27 de setembro de 1911.
Ele agiu como assessor do governo da província mato-grossense, agenciando dentro de suas forças aquilo que o Cândido Rondon, com expressão maior, articulou para cumprir missões para o Governo Federal.
Definidos os limites em função de uma decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal favorável à província do Mato Grosso, “foram em sessão solene instaladas a Comarca e o Município de Santo Antônio, tomando posse no cargo de Juiz de Direito Dr. João Chacon e no de Promotor Público Dr. Vulpiano Tancredo Rodrigues Machado, os quais se encontravam nomeados desde 10 de janeiro de 1912, exercendo as funções dos respectivos cargos desde 02 de abril. O presidente da solenidade, o coronel Leopoldo Matos, representando o governador de Mato Grosso, Dr. Joaquim Augusto da Costa Marques, deu posse aos nomeados para provisoriamente administrarem o município no período de 1912 a 1914 até a realização das eleições municipais.
Foi o coronel Leopoldo de Moraes Matos, como vimos, quem presidiu a instalação da Comarca e, depois, do município de Santo Antônio, na divisa com o Estado do Amazonas; e, em nome do Governador de Mato Grosso, Dr. Joaquim Augusto da Costa Marques, empossou no cargo de Prefeito Municipal o Dr. Joaquim Augusto Tanajura; no cargo de Membros da Comissão Municipal, Antônio Marcelino Cavalcante, José Fortunato Conceição, José Alves Damascena e José Ribeiro Dantas. (Fonte: Prof. Abnael Machado de Lima (Santo Antônio a Fênix do Rio Madeira – www.gentedeopiniao.com.br, 24/01/2010).
Leopoldo de Matos também foi contemporâneo nas andanças pelo rio Guaporé, Mamoré e Madeira do ilustre militar Cândido Mariano da Silva Rondon, tendo, inclusive, se encontrado com a comissão de Linhas Telegráficas, segundo Ana Lúcia Lobato, que em artigo relatou as palavras de Silvino Santos quando este se encontrou com a Comissão de Linhas Telegráficas: “A caminho de Presidente Marques, o cel. Leopoldo de Matos encontrou-se com a Expedição Rondon, das Linhas Telegráficas do Amazonas e Mato Grosso. O coronel Leopoldo de Matos entregou ao capitão Rondon a promoção de coronel ... eu filmei esta cerimônia em plena selva." (História, ciência/ saude-Manguinhos vol.6.0 Rio de Janeiro Setembro. 2000-O cinema na Amazônia)”.
A expedição liderada pelo coronel Leopoldo de Matos ao Alto Guaporé, Guajará-Mirim e Forte Príncipe da Beira, registrada através de um documentário-filme, possivelmente em 1917, gravou passagens que estão inseridas numa película iniciada em Porto Velho, a ferrovia Madeira-Mamoré. Diz-nos Silvino Santos: “O primeiro filme que fiz para o cel. Leopoldo de Mattos, representante de Mato Grosso em Manaus, contém cenas da expedição até o Alto Guaporé, passando por Guajará-Mirim e Forte Príncipe da Beira. Comecei o filme em Porto Velho, continuei no trajeto de 366 km da estrada de ferro Madeira-Mamoré a Presidente Marques, etc. A caminho para Presidente Marques documentei para a história quando o encontro entre esses pioneiros ocorreu em plena selva.”
Sabe-se que essa filmagem se deu sob a direção de Silvino Santos, assessorado nos serviços de fotografia por Raymundo, da Photografia Allemã, com locações, consoante se disse, entre Porto Velho, Ferrovia Madeira-Mamoré, Forte Príncipe da Beira e Vila Bela, a cargo, pois, dessa comissão de Mato Grosso, cujo encontro dignificou as hoje celebridades Cândido Rondon e Leopoldo de Matos.
O Coronel Leopoldo de Matos, como Delegado Fiscal do Mato Grosso, presidiu o Nacional Futebol Clube na capital manauara. Numa dissidência, em 08 de julho de 1930 foi fundado o Fast Clube.
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