Sexta-feira, 14 de dezembro de 2018 - 09h07

Esse
bicho anda empacando igual burro amuado! Mas eu o amo mesmo assim!
Esse
cara, às vezes bruto, enraivecido, intolerante, tem várias amantes – duas de
nomes modernos, conhecidas como WhatsApp
e Internet.
E
quando o celular briga com uma tal de “operadora” e fica de mal com essa uma?
Alguns afoitos, ou não, a xingam de “avançada tecnologia”!
Acontece
que não sou adicto, mas fiquei inoculado com o sangue ocasional desse
equipamento como se fosse uma carga viral moderna, e nele ando “aviciadinho”
por conta dos prazeres mundanos que esse instrumento de prazer me concede... E,
assim, assumo: estou dependente desse tal de celular, na ‘Celularlândia’ do meu
mundo atual!
Só
que – imagine - tenho sido largado e abandonado; e ele, machista e insensível,
não me liga, não me telefona e nem me escreve! Nem foto, tampouco notícias me
envia!
E,
pior! Parecendo ser ciumento, não me permite escrever, mandar notícias e
fotografias para outras pessoas que me são tão caras.
Esse
personagem, ao contrário de mim, é impulsionado por uma bateria que também tem
seus momentos de indecisão e não cumpre o seu papel na nossa parceria. Fica
muitas e muitas vezes emburricado e não se carrega, não se energiza o
suficiente. Quando menos se espera esvai-se numa diarréia violenta e não segura
o esfíncter de seu repositório.
Sinto-me
verdadeiramente traído por esse facínora, esse depravado, insolente e arrogante
celular! Se eu fosse menos intolerante já o teria jogado nos vasos sanitários
do universo.
Numa
oficina fizeram um arrastão e levaram R$ 120,00 do aposentado ingênuo, e nada
do animal (o celular) voltar ao mundo dos vivos, nem na linguagem dos sinais.
Ocorre
que vivo igual à amante rejeitada ou traída: passada a raiva, combinada com
ódio insano, fico olhando de soslaio para o aparelho ali estendido e inerte,
aguardando uma piscadela; e quando imagino que isso acontece, passo a mão nos
seus cabelos em desalinho e vivo momentos de irrefreável eternidade profana,
apalpando-o, dedilhando e escutando-o, sem perder a macheza que me envolve.
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