Quarta-feira, 8 de abril de 2026 - 10h03

Em março de 2009, o então governador de
Rondônia, Ivo Cassol, ao visitar uma obra de ampliação do sistema de
abastecimento de água em Porto Velho, localizado na região leste da cidade,
anunciou que a população teria cem por cento de água tratada. Muita gente
vibrou com a ideia, principalmente moradores do Bairro JK I. A obra fazia parte
do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Em novembro do mesmo ano, um
vereador do Partido dos Trabalhadores, cujo nome não me recordo agora, acionou
o Ministério Público Federal, por suspeita de superfaturamento na obra. Naquela
ocasião, o então presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, José Hermínio
Coelho, do mesmo partido do denunciante, ameaçou criar uma CPI para investigar
o caso.
A CPI não saiu, mas as obras foram suspensas. O
problema se arrasta até hoje. Enquanto isso, a maioria da população, que não
pode pagar para cavar um poço artesiano, continua usando água da pior qualidade
(quanto chega às torneiras), servida pela CAERD, mais conhecida pelo excesso de
cargos comissionados que abriga em sua esquálida estrutura do que pelos
serviços que deveria prestar à população, segundo informações. No final de
2015, o plenário da Câmara de Vereadores de Porto Velho aprovou o Programa de
Parceria Público-Privada, abrindo, assim, caminho para a terceirização de
serviços públicos nos mais diferentes setores da administração municipal, entre
eles esgotamento sanitário e água tratada.
Em abril de 2017, uma nova polêmica. Dessa vez,
envolvendo a prefeitura de Porto Velho e a presidência da CAERD. O então
prefeito Hildon Chaves teria sido informado pelo Tribunal de Contas da União
sobre o cancelamento do compromisso assinado entre o governo de Rondônia e o
Ministério das Cidades, o que teria levado a Caixa Econômica a devolver à União
mais de setecentos milhões de reais que seriam aplicados em obras de
esgotamento sanitário e ampliação de rede de água potável. O então governador
Confúcio Moura interveio e a coisa se acalmou. Quando tudo parecia correr às
mil maravilhas, o jornalista Paulo Andreoli entrou em campo e lançou uma nuvem
de desconfiança sobre a credibilidade da empresa cotada para ganhar a concessão
das obras na capital, publicando bombástico material sobre o assunto.
Já disse, e repito, que a discussão sobre o
futuro da política de abastecimento de água da cidade de Porto Velho passa,
necessariamente, pela compreensão sobre os interesses políticos que envolvem
esse tema e a determinação dos gestores públicos em fazer valer os aspectos
realmente importantes para a população da capital. Estamos em ano
eleitoral. Logo, vão aparece candidatos aos mais diferentes cargos e dos mais
variados partidos prometendo resolver o problema do desabastecimento de água na
cidade de Porto Velho. Alguns,
inclusive, passaram pela prefeitura e pelo governo do Estado, porém,
praticamente nada fizeram para, pelo menos, amenizar o sofrimento do povo que
sofre com a escassez de água potável, principalmente no verão.
Terça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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