Sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024 - 12h44

O desespero que tomou conta das autoridades de saúde do Brasil,
em decorrência do surto de dengue, que se espalha pelos quatro cantos do país,
apenas demonstra a incapacidade de certos dirigentes diante do perigo iminente.
Não se diga, porém, que a situação se restrinja apenas a esse ou aquele
município, sabido que a doença continua a vitimar pessoas em todos os lugares.
No caso de Porto Velho, lamentavelmente, as ações desencadeadas pelos setores
competentes, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUSA),
parecem caminhar a passos de jabuti.
Já não bastasse a ameaça a que está sujeita a população da
capital, como consequência do recrudescimento da malária, não por dificuldades
financeiras impostas por quem quer que seja, mas pela completa ausência de
gerenciamento, o agravamento nas condições sanitárias de extensas áreas
recém-habitadas e na carência de saneamento básico, tem no problema mais um
fator complicador. A rigor, praticamente nada tem sido feito para enfrentar,
adequadamente, quaisquer novas doenças. As próprias condições em que se vem
operando a rede pública de saúde não autorizam se alimentar ilusões. De igual
modo, são frequentes as reclamações contra a falta dos mais elementares
materiais nas unidades de saúde. Agrava-se a isso os baixos salários pagos aos
profissionais do setor e as precárias condições de trabalho. Dizer-se que
faltam recursos à realização das ações precípuas de saúde é desculpa esfarrapada,
que só convence incautos. Se a população da capital padece com a crise
administrativa que corrói as combalidas bases da saúde municipal, o que dizer
das famílias que residem nos distritos, onde o médico só aparece uma vez por
semana. Isso quando aparece! No fundo, o que mais entristece e deixa qualquer
cidadão indignado é saber que mesmo as melhores intenções das autoridades
diretamente responsáveis não podem determinar o mínimo grau de esperança e
segurança nas pessoas.
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