Sexta-feira, 24 de janeiro de 2025 - 17h16

Há vários anos desativada, a velha fábrica de corrupção voltou a
operar em Rondônia. Especializada na preparação de licitações e contratos
fraudulentos com foco em eventos culturais, a empresa, uma vez remodelada,
tinha tudo para bater recordes de vendas. Prova disso é que, logo nos primeiros
meses de atividade, a fábrica faturou quase R$ 10 milhões. Tanta grana assim acabou
despertando a curiosidade do Ministério Público do Estado de Rondônia, que
resolveu mergulhar de cabeça no pântano. E o que o MPERO descobriu deixou muita
gente com um elefante atrás da orelha, evidenciando, mais uma vez, que a
instituição não tem o péssimo hábito de brincar com coisas sérias.
É deprimente vê nos jornais e sites de notícias autoridades e
subordinados seus refestelando-se com dinheiro público, enquanto a população,
principalmente de Porto Velho, reclama, todos os dias, por melhorias na saúde,
educação, segurança pública, no precário abastecimento de água potável, como se
o patrimônio público fosse um repasto à satisfação de interesses pessoais ou de
grupos, abroquelados na impunidade.
No livro de Lucas 17:1, vemos o próprio Jesus ensinando que é
necessário que o escândalo venha à tona. Isso porque não há nada praticado às
escuras que não seja revelado pela luz. E como ocorre a revelação do escândalo?
De três maneiras: ou pelo próprio agente do crime, ou pelo noticiário, ou,
então, pela atuação proficiente dos órgãos de fiscalização, como Ministério
Público e Tribunal de Contas, guardiões da sociedade contra a corrupção e a má
gestão de recursos públicos. A dúvida é saber se, algum dia, a velha fábrica
deixou de funcionar.
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