Terça-feira, 12 de maio de 2026 - 14h05

Circula nas redes sociais um
vídeo do que seria uma das festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro,
dono do Banco Master, com a participação de beldades do mundo da moda. Nada
contra quem realizar festas, desde que o dinheiro usado não seja fruto de roubo
de aposentados e pensionistas, em sua maioria, pessoas idosas, doentes, cujos
gastos com saúde e medicamentos comprometem, em média, até 55% do orçamento. No
caso de quem ganha um salário mínimo, o valor pode chegar a 70% da
aposentadoria.
E o pior é que ainda tem
autoridades e políticos trabalhando duro para tentarem salvar a pele de
Vorcaro. Por quê? A resposta, de tão óbvia, parece-me supérflua. Prova disso
pode ser observado na conduta de políticos do Partido dos Trabalhadores. Nenhum
parlamentar do PT assinou o requerimento de abertura da Comissão Parlamentar Mista
de Inquérito do Banco Master. Logo o PT, sempre ágil no gatilho na hora de
condenar a corrupção, seguiu exatamente na contramão da história. É o velho
ditado do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Hipocrisia pura.
Aliás, o PT não só não assinou o pedido para a instalação da CPMI, como também
se articulou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para enterrar a
Comissão.
Em um país onde a economia,
conduzida pelo “ministro taxade”, caminha a passos de tartaruga, a corrupção
evoluiu de malas de dinheiro, notas de reais escondidas em cuecas ou caixas de
bebidas, para esquemas digitais, o dono do Master usou um método completamente
novo para comprar servidores públicos, autoridades e políticos corruptos, ou
seja, a distribuição de cartões de créditos para custear despesas pessoais,
entre os beneficiários do esquema aparece o senador Ciro Nogueira (PP-PI),
segundo apurou a competente Policia Federal.
Nogueira elegeu-se deputado
federal em 1994. Foi eleito para o Senado em 2011 e está lá até hoje, graças a
eleitores do Piauí, o terceiro estado mais pobre da Região Nordeste, onde
parcela expressiva da população depende de programas de transferência de renda,
ambiente ideal para a proliferação de políticos da estirpe de Ciro Nogueira,
que integra o centrão, um grupo de políticos que vive de negociar apoio a
presidentes em troca de cargos e liberação de verbas governamentais, por meio
de emendas parlamentares.
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