Terça-feira, 23 de janeiro de 2024 - 16h21

Fez bem o Ministério Público de Rondônia, MPRO, mergulhar de cabeça em mais
um possível caso de nepotismo envolvendo uma prefeitura do interior do Estado,
mostrando que tem uma tarefa socialmente importante a desempenhar. E mais: que
é capaz e competente para fazer isso, doa em quem doer, alcance quem alcançar.
A bem da verdade, o povo não aceita, tampouco admite, que o favoritismo
gracioso a parentes continue sendo uma prática comum nos órgãos públicos.
Essa situação, diga-se de passagem, subverte a lógica da Constituição
Federal que dispõe sobre a admissão de pessoal no serviço público apenas
mediante concurso. Infelizmente, não é isso que se verifica na prática, senão o
inchaço dos órgãos e instituições, quase sempre, por conta do descaramento de
uma parcela de dirigentes em beneficiar alguns dos seus parentes mais próximos.
Além do nepotismo, que é o favorecimento dos vínculos de parentes nas relações
de emprego, há, também, o transnepotismo, que funcionaria como uma troca de
favores entre poderes, ou seja, a migração de indivíduos não concursados de um
poder para outro.
Curiosamente, a própria legislação contempla o uso de cargos em comissão
como passaporte para o serviço público, criando, por tabela, sinecuras. Estas,
não por acaso, são vulgarmente conhecidas por “boquinhas ou mamatas”,
geralmente ocupadas por parentes e amigos de políticos e autoridades, que se
aproveitam dos postos de mando para acomodar os seus, muitas vezes bem
remunerados, em detrimento dos servidores de carreira, que entraram pela porta
do concurso público.
Há que se elogiar, contudo, a postura do MPRO na luta contra o
nepotismo, uma responsabilidade que já deveria ter sido abraçada por políticos
e dirigentes públicos, que precisam arregaçar as mangas, colocarem a mão na
massa e dar uma demonstração de coragem e respeito à sociedade.
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