Terça-feira, 26 de maio de 2026 - 15h20

A juíza de direito do Tribunal de Justiça de Rondônia
(TJRO), Larissa Pinho Camargo, publicou um artigo no Correio Braziliense
defendendo que o futuro do Poder Judiciário passa, necessariamente, pela
inclusão de pessoas neurodivergentes no sistema de Justiça. Com o título
“Justiça do futuro inclui neurodivergentes”, o texto propõe uma reflexão sobre
a necessidade de ampliar o conceito de acessibilidade dentro dos tribunais
brasileiros.
No artigo, Larissa destaca que, embora o Judiciário tenha avançado em
acessibilidade física e tecnológica, ainda existe uma barreira pouco debatida:
a acessibilidade cognitiva. Segundo ela, pessoas autistas e outros
neurodivergentes frequentemente enfrentam dificuldades para compreender a
dinâmica de audiências, lidar com ambientes sensorialmente intensos ou
interpretar a linguagem excessivamente técnica utilizada nos processos
judiciais.
A magistrada é autora do Protocolo Brasileiro de Neuroinclusão no Poder
Judiciário, apresentado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A proposta prevê
medidas como simplificação da linguagem processual, roteiros visuais de
audiência, previsibilidade procedimental, adequação sensorial dos ambientes e
capacitação institucional voltada à neurodiversidade.
A juíza também ressalta que o Brasil pode se tornar referência internacional em
acessibilidade cognitiva aplicada diretamente ao fluxo processual judicial, já
que, segundo ela, não há notícia de protocolos semelhantes implementados em
tribunais europeus ou norte-americanos.
Além da atuação no Judiciário, Larissa Pinho Camargo possui uma trajetória acadêmica
consolidada. Ela é doutora em Ciência Política, mestre em Educação, professora
de Direito Digital e integrante do grupo de trabalho do CNJ responsável pela
atualização do Manual Nacional do Judiciário sobre inclusão e autismo. A
experiência pessoal também atravessa sua atuação institucional. Larissa é mãe
de um adolescente de 14 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista
(TEA).
Leia o artigo completo:
Justiça
do futuro inclui neurodivergentes
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