Segunda-feira, 20 de abril de 2026 - 17h38

MLG não são iniciais de um personagem de ficção, mas de uma
pessoa real, de carne e osso, com quem trabalhei por mais de três décadas como
servidor da câmara municipal de Porto Velho.
Hoje, aposentado, MLG luta contra um câncer. Evitei citar o seu nome completo para não soar
deselegância de minha parte com o ex-colega de repartição. A exemplo de muitos
que entraram na inatividade, MLG também não recebeu aquilo que a Lei lhe
assegura como um direito líquido e certo.
Às vezes, chega a ser até difícil encontrar adjetivos para
qualificar o tratamento dispensado pela mesa diretora da câmara municipal de
Porto Velho para com servidores que requereram suas aposentadorias com a
garantia de que teriam seus direitos devidamente pagos antes do merecido ócio,
mas, na prática, o que se vê é um festival de desrespeito em cima de
desrespeito para com homens e mulheres que dedicaram longos anos de suas vidas
ao poder legislativo municipal.
Essa
gente parece que tem uma pedra no lugar do coração, uma vez que não se importa
com a dor e o sofrimento do outro. Ainda hoje, é comum encontrar idosos, em sua
maioria doentes, que se aposentaram há quatro anos ou mais, andando por órgãos
da câmara municipal atrás de informações sobre pagamentos, ou, então,
aguardando na antessala do gabinete presidencial uma oportunidade para falar
com o presidente Gedeão Negreiros a fim de sensibilizá-lo a pagar seus atrasos.
Após horas de espera sem ouvir a frase “pode entrar que o presidente vai
atendê-lo", alguns acabam vencidos pelo cansaço e pela humilhação e deixam
o local sem resposta. Outros entraram na justiça, mas temem a barreira intransponível
dos precatórios. Esse é o retrato de um país que insiste em achincalhar seus
idosos. Não menos deprimente é comprovar que esse tipo de conduta se tornou
algo normal no Brasil de hoje, tão natural que não parece incomodar nem mesmo aqueles
que têm a missão de defender os velhinhos.
Terça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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