Segunda-feira, 3 de abril de 2023 - 16h16

Dias atrás, vi na televisão um desses especialistas no assunto falando sobre a qualidade do ensino público brasileiro. Foi então que me lembrei de um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que obrigava filho de político a cursar o ensino básico na rede pública. Na época, a proposta foi alvo de críticas ácidas, principalmente por parte de colegas seus, como o senador e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Demóstenes Tores (DEM-GO), que chamou a matéria de demagógica, mas Cristovam se defendeu dizendo que, talvez, assim, houvesse mais compromisso das autoridades com a educação pública e a consequente melhoria da qualidade do ensino.
Houve ainda
quem dissesse que a iniciativa era apenas uma provocação, pois o próprio
Cristovam sabia que o problema da educação brasileira não é a falta de leis.
Leis há, e muitas, mas elas não operam como um robô. Na prática, porém, o que
falta mesmo é vontade política para fazer o que precisa ser feito. Não será por
meio de uma lei, pura e simples, que se vai melhorar a qualidade do ensino no
Brasil. Logo, não seria a proposta do representante de Brasília, impondo aos
políticos a obrigação de matricular seus filhos nas escolas públicas, que o
quadro da educação no Brasil mudaria de figura. Provocação ou não, a ideia foi
considerada por muitos como válida. Afinal, partindo de quem partiu, seria, no
mínimo, um equívoco imaginar que Cristovam estivesse fazendo apenas uma
brincadeira para ocupar espaço na mídia, principalmente vindo de alguém que
possui as credenciais na área da educação, não somente por tudo que conseguiu
realizar na direção da Universidade de Brasília, como também pela maneira como interpreta as verdadeiras causas do
atraso brasileiro no setor. Aliás, ele angariou liberdade e autoridade
suficientes para fazer provocações dessa natureza. Talvez tenha sido a maneira
que Cristovam encontrou para convocar toda a classe política a adotar uma
postura, digamos, mais responsável no trato de um tema de vital importância
para o futuro do país. Pelo visto, o projeto de lei do senador foi detonado na
CCJ, mas a sua ideia foi aprovada por parcela expressiva da população
brasileira.
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