Quarta-feira, 27 de agosto de 2025 - 13h55

No Brasil é assim, quando não se quer apurar nada, logo se
cria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Agora não seria diferente.
Depois de muitas articulações e puxadas de tapetes, senadores e deputados
conseguiram emplacar a CPMI do INSS para, segundo eles, investigar a
roubalheira nas contas de aposentados e pensionistas do Instituto.
Espera-se que a Comissão produza efeitos práticos em favor
dos seus legítimos interessados, e não seja usada como instrumento para
perseguir adversários políticos, como aconteceu com a CPI da Pandemia, que
ficou conhecida como a CPI do Circo, por repetir atitudes politiqueiras do
passado. Deixou de fez o dever de casa e, destarte, como previsto, acabou em
pizza gigante.
No caso da roubalheira do INSS, a Polícia Federal (PF) e a
Controladoria Geral da União (CGU) realizaram um trabalho de investigação digno
dos melhores encômios, revelando à população uma ampla rede de corrupção
alimentada historicamente entre autoridades, políticos, servidores públicos e empresários
corruptos, porém, até hoje, ninguém foi severamente punido, mostrando que o
Brasil ainda não se reposicionou adequadamente na forma de um quadro crônico de
um sistema corrompido.
O aprendizado sobre o fortalecimento das instituições e da
exigência da transparência na condução dos negócios públicos, como parte de um
dever dos gestores, dos servidores e da sociedade, é demorado e difícil. Os
exemplos de irregularidades são gigantescos e possuem raízes profundas, tanto
que para uma parcela significativa da população brasileira a corrupção é
naturalmente admitida. Oxalá a CPMI do INSS cumpra realmente a função social
para a qual foi criada, justiçando os irresponsáveis que meteram as mãos sujas
no dinheiro de aposentados e pensionistas. Caso contrário, será apenas mais uma
Comissão como tantas que já foram instituídas pelo Congresso Nacional.
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