Quarta-feira, 24 de dezembro de 2025 - 15h10

Está formado o cabo de guerra entre André Mendonça e Flávio Dino,
ambos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mendonça mandou a Polícia
Federal fazer busca na casa do senador Weverton Rocha (PDT-MA), como parte da
“Operação Sem Desconto”. O parlamentar é suspeito de participar de um esquema
de corrupção que desviou bilhões de reais de contas de aposentados e
pensionistas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Weverton é
aliado e conterrâneo de Flávio Dino.
No dia seguinte, Dino mandou a Polícia Federal realizar operação
contra desvio de recursos públicos vinculados às cotas parlamentares.
Coincidência ou não, acertou, em cheio, o deputado federal Sóstenes Cavalcante,
líder do PL e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. André Mendonça foi
indicado para o STF pelo então presidente Bolsonaro em 7 de julho de 2021 na
vaga de Marcos Aurélio de Mello. Flávio Dino foi indicado pelo presidente Lula
em 27 de novembro de 2023, para o lugar da ministra Rosa Weber.
É como se Dino dissesse assim para Mendonça; “não mexa com os meus
amigos, que eu não mexo com os seus”. Essa medição de forças entre duas
importantes autoridades da magistratura brasileira é péssima, tanto para a
imagem do STF, cuja credibilidade anda em queda no conceito de significativa
parcela da sociedade, quanto para a democracia brasileira, na qual muitos dizem
não mais acreditar. Para alguns, atitudes como essas só contribuem para
esvaziar cada vez mais o princípio da justiça, pilar fundamental que busca a
equidade, imparcialidade e equilíbrio na distribuição de direitos.
Não é só a população que está perplexa com o que vem acontecendo
com a mais alta corte do país, baluarte da democracia. Em suas frequentes
aparições televisivas, o ex-ministro Marcos Aurélio de Mello não consegue
disfarçar o constrangimento no que se refere à conduta de membros da
instituição na qual atuou por mais de 31 anos. Apesar de tudo isso que vem
acontecendo, insisto que não podemos perder a confiança nas nossas
instituições, pois elas são a base de uma sociedade saudável e funcional,
conquanto respeito os que pensam diferente.
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