Sexta-feira, 24 de abril de 2026 - 07h50

Em tempos marcados por profundos desafios sociais,
iniciativas que resgatam valores como solidariedade, empatia e compromisso
coletivo assumem papel essencial na construção de uma sociedade mais justa.
Nesse cenário, o quadro “Seja Bom Também”, exibido no
Programa do Ratinho, no SBT, surge como um verdadeiro farol de humanidade.
Idealizado por Moacyr Franco, um dos melhores intérpretes,
compositores da Música Popular Brasileira de Qualidade, o artista mais completo
da televisão brasileira, o quadro vem emocionando o país ao dar visibilidade a
histórias reais de brasileiros anônimos que dedicam suas vidas ao próximo. São
exemplos concretos de altruísmo que transcendem discursos e se materializam em
ações transformadoras.
Um dos episódios mais comoventes, apresentado por Carlos
Massa Ratinho, revelou a luta de uma mãe para salvar seu filho acometido por
leucemia. Após anos peregrinando por hospitais sem sucesso, ela encontrou no
programa um canal de esperança.
Com o apoio do renomado cientista Dr. Dimas, ex-diretor do
Instituto Butantan, detentor de uma trajetória extraordinária dedicada à
ciência — com destaque na pesquisa e no desenvolvimento de vacinas — foi
possível viabilizar um tratamento que devolveu à criança a chance de viver. Um
testemunho poderoso da união entre ciência, solidariedade e ação concreta.
Esse tipo de reconhecimento público suscita uma reflexão
essencial: quantas outras lutas silenciosas, igualmente relevantes, permanecem
à margem da visibilidade?
É nesse ponto que ganha destaque a atuação do escritor e
jurista Vasco Vasconcelos. Há mais de três décadas, ele desenvolve um trabalho
contínuo e resoluto em defesa dos bacharéis em Direito no Brasil. Sua
trajetória é marcada por denúncias, artigos e manifestações que questionam o
modelo de acesso ao exercício da advocacia, especialmente no que se refere ao
exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por ele criticado como oneroso e
carente de maior transparência.
Segundo sua análise, há um contingente expressivo de
profissionais qualificados que enfrentam barreiras para ingressar no mercado de
trabalho, mesmo após a conclusão do ensino superior. Ele argumenta que essa
realidade compromete o princípio do livre exercício profissional e evidencia
falhas estruturais no sistema educacional e regulatório.
Mais do que crítica, sua atuação caracteriza-se pela
persistência e pela busca de fomentar o debate público. Ao longo dos anos, sua
produção intelectual tem procurado chamar a atenção para a necessidade de maior
rigor na fiscalização do ensino jurídico, bem como para a valorização efetiva
do diploma universitário.
A força de sua luta reside justamente na constância:
trata-se de uma atuação que não se limita a momentos pontuais, mas que se mantém
ao longo do tempo, mesmo diante de resistências institucionais.
Por tudo isso exposto e em reconhecimento à luta do jurista
Vasco Vasconcelos em buscar resgatar e inserir no mercado de trabalho cerca de
600 mil bacharéis em Direito, que, segundo sua visão, permanecem à margem do
exercício profissional, sem acesso pleno ao primado do trabalho, seria de bom
alvitre que o Programa do Ratinho, em seu quadro “Seja Bom Também”, prestasse
uma homenagem ao autor deste artigo. Trata-se, em sua perspectiva, de uma causa
que visa enfrentar o que denomina como uma forma moderna e sutil de exclusão
profissional, cuja relevância social merece maior visibilidade e debate
público.
Esse tipo de engajamento, ainda que controverso em alguns
aspectos, é parte fundamental de uma sociedade democrática, na qual ideias são
debatidas e estruturas podem ser aperfeiçoadas.
Ao traçar um paralelo histórico, é inevitável recordar Luiz
Gama, cuja atuação jurídica foi decisiva para a libertação de centenas de
pessoas escravizadas. Guardadas as devidas proporções e contextos históricos,
essa evocação reforça a importância de reconhecer aqueles que se dedicam à
ampliação de direitos e oportunidades.
Nesse sentido, iniciativas como o quadro “Seja Bom Também”
podem ampliar ainda mais seu alcance ao contemplar trajetórias que conectem o
altruísmo individual às grandes causas estruturais do país.
O reconhecimento público, mais do que uma homenagem, cumpre
um papel simbólico poderoso: legitima lutas, inspira novas ações e fortalece o
debate social. Independentemente das posições adotadas, é inegável que a
persistência na defesa de uma causa coletiva merece atenção.
Assim, o quadro não apenas emociona, mas também educa e
provoca reflexão. Ele nos lembra que ser bom não é apenas um gesto pontual, mas
uma postura contínua diante da vida — seja no cuidado com o próximo, seja na
defesa de princípios que visam a uma sociedade mais justa e solidária.
Por fim, vale recordar o ensinamento de Martin Luther King
Jr., Prêmio Nobel da Paz: “Na nossa sociedade, privar o homem de emprego e
renda equivale, psicologicamente, a assassiná-lo.”
Vasco Vasconcelos escritor, jurista, jornalista,
administrador, compositor e abolicionista contemporâneo - Brasília -DF
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