Terça-feira, 16 de maio de 2023 - 17h59

A imagem do Brasil que resultou das urnas de outubro do ano
passado em nada parece reproduzir mais adequadamente a realidade da sociedade
brasileira. Cinco meses se passaram depois que o presidente Lula assumiu o
comando na Nação, pela terceira vez, e os brasileiros ainda não conseguiram experimentar
os efeitos materiais sobre os seus padrões de vida. Uma coisa começa a marcar o
cotidiano dos cidadãos: o Brasil esperançoso de 30 de outubro de 2022
mostra-se, hoje, cheio de desesperança. Senão todos, mas, com certeza, a grande
maioria da população, como ficou atestado em pesquisa realizada pelo Instituto
Paraná, entre os meses de março e maio de 2023, sobre a popularidade do governo
petista, alvo de minha recente colaboração.
A alegria, que caracterizou os primeiros dias de governo Lula,
cedeu lugar à tristeza, enquanto o presidente vive sorrindo de orelha a orelha,
como se isso bastasse para resolver as mazelas sociais contra os quais a
população se debate. O otimismo é importante
na vida do ser humano. Não se tem dúvida disso. As pessoas otimistas geralmente
saem-se melhor em suas áreas de atuação, porém o sorriso otimista sem apontar
caminhos diferentes dos que vêm sendo trilhados pela sociedade assoberbada de
dificuldades as mais diversas, é o mesmo que malhar em ferro frio, ou seja, não
produz nenhum efeito prático. O otimismo transbordante do presidente até pode
contagiar seus séquitos, mas não tem o dom de extirpar problemas crônicos nos
setores da saúde, educação, economia, entre outras áreas do governo.
Importantes setores da economia brasileira ainda não
compreenderam direito que caminhos o governo pretende dar a politica econômica.
Ora Lula fala uma coisa; ora a presidente de seu partido, Gleisi Hoffmann, fala
outra; ora, ainda, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, intenciona outra
coisa. No fundo, ninguém se entende. Mal começou, o governo já se tornou refém
do Congresso, cujas verdadeiras intenções todo mundo conhece, com as devidas
exceções, principalmente o presidente da República, que, diante da primeira e
acachapante derrota, cuidou logo de mandar abrir as comportas dos ministérios
para liberar bilhões de reais em emendas parlamentares. Só otimismo do
presidente Lula não vai resolver os problemas do Brasil.
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