Quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 - 15h14

Ensina a
sabedoria popular que, em casa onde falta pão, todos reclamam e ninguém tem
razão. O ditado é uma metáfora para ilustrar que, em momentos de crise, de
escassez (alimentos ou recursos financeiros) os conflitos afloram e a
racionalidade simplesmente desaparece, evidenciando que nem todo mundo consegue
manter o controle emocional diante de situações difíceis, resultando no
aparecimento de contendas.
Circula
nas redes sociais um vídeo em que dois vereadores da capital aparecem trocando
farpas durante uma sessão plenária. Não se sabe ao certo o estopim que motivou
a cizânia, mas há quem diga que o acirramento de ânimos estaria ligado à
redução do percentual do repasse do executivo para o legislativo, que caiu
recentemente de 5% para 4,5%, obrigando a Casa a cortar na própria carne,
começando pelo inchaço quase teratológico da folha de pagamento com
comissionados, em sua maioria, aliados e cabos eleitorais.
A condição de homens públicos impõe posturas que devem respeitar essa dimensão. Quem exerce mandato popular tem o compromisso de preservar a liturgia do cargo e, principalmente, de respeitar a população e isso, entre outras atitudes, exige a responsabilidade para não particularizar ou proceder como se o plenário e os bens públicos fossem propriedade privada. Não se quer que a Câmara Municipal de Porto Velho seja transformada em convento. Pelo contrário, é parte do Poder Legislativo o embate de ideias, as divergências e as tensões ideológicas, tornando o ambiente positivo, possibilitando, assim, avanços democráticos, mas não é isso o que se vê no vídeo. Parece que a troca de impropérios entre membros do legislativo vem ganhando espaço, em detrimento da discussão sabia e construtiva de assuntos relevantes para os munícipes porto-velhenses. O sentimento popular experimentado é o de vergonha de ver a cidade ser notícia por causa desse tipo de espetáculo.
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