Quarta-feira, 6 de maio de 2026 - 16h38

Educação
crítica
Assim
como a violência social, e mais especificamente a violência escolar, outro
enorme desafio para quem é profissional da educação advém da precarização das
condições e perspectivas de trabalho e desenvolvimento pessoal e social.
Refletir
sobre todos esses fatores e impactos – além de outros, como a depreciação de
toda a Educação Pública – é um dos desafios da educação crítica.
É
certo que as intercorrências históricas são marcantes, como também verificamos
na chamada formação social brasileira: machismo, autoritarismo, elitismo.
Com
esse pacote social, institucional, político, resta bastante claro que "a
crise da educação, não é uma crise, mas um projeto".
Essa
declaração de Darcy Ribeiro, senador da República na época da edição da
Constituição de 1988, não é uma sentença eterna. Porém, pouco se fez até agora
para que esse processo fosse interrompido.
Esse
é o principal desafio das educadoras e dos educadores, ou seja, precisamos
interromper com urgência o processo de crescente falibilidade programada da
Educação Pública.
De
forma atualizada, tempos ainda o desmonte do ideário da autonomia e da
emancipação: a ponta de lança se denomina de neoliberalismo e o exemplo
concreto vem de São Paulo. A autonomia intelectual dos docentes é negada pela
obrigação de repetir slides em sala de aula, via de regra, completados com
erros históricos e conceituais.
É
claro que a mudança de tudo isso passa pelo voto, esse ato que expressa nossa
consciência. No caso específico, precisamos ter atenção máxima para o fato de
que as forças políticas dominantes em São Paulo representam a hegemonia das
forças econômicas que se fortalecem com a uberização. Passar slides, repetidos
e feitos por outras pessoas também demonstra a uberização da educação. Além de
docentes que viraram uber, porque os salários não abastecem adequadamente a
mesa de jantar dos filhos.
Em
ano eleitoral, sobretudo, a missão está em procurar representantes que se
identifiquem com a Educação Pública de qualidade, laica, democrática,
republicana e integral.
Esse
seria um bom começo para pensarmos numa educação crítica, incentivando-se a
autonomia e a emancipação, a inclusão, a acessibilidade e a permanência.
O
que, por fim, apesar de ser uma luta política inesgotável, sem fim, nos
coordena, como profissionais da educação, a lutarmos pela superação de tudo que
se assemelhe à "privatização do público" e à negação da Política (a
Polis).
É
óbvio que lutar politicamente pela Educação Pública corresponde a um
compromisso político e pessoal contrário à uberização social, à precarização do
Mundo do Trabalho.
Mas,
de modo pragmático e efetivo, nossa missão se inicia com a consciência de que
os/as estudantes são sujeitos do conhecimento, um polo ativo na relação de
ensino e de aprendizagem. Essa é a Epistemologia política trazida por Paulo
Freire.
De
forma direta, quem assim se identifica com a Educação Pública de qualidade,
crítica, laica, integral, voltada à humanização, tem, por obrigação de ofício
da consciência, que lutar contra a imposição do ensino religioso, as escolas
cívico-militares, a educação financeira.
As
classes trabalhadoras, subalternizadas, não precisam aprender a economizar (o
que não têm), pois, pela lógica, necessitam de uma educação crítica que as
instigue a participar da luta política em proveito de condições dignas de trabalho
e de vida.
O
postulado vê a crítica como missão emancipatória da Educação. Fora disso não há
ciência, consciência, mas sim ideologia e adestramento.
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