Porto Velho (RO) terça-feira, 16 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Vinício Carrilho

Uma epistemologia política - necessária, obrigatória, ao Brasil de 2026


Uma epistemologia política - necessária, obrigatória, ao Brasil de 2026 - Gente de Opinião

Educação crítica 

 

Assim como a violência social, e mais especificamente a violência escolar, outro enorme desafio para quem é profissional da educação advém da precarização das condições e perspectivas de trabalho e desenvolvimento pessoal e social. 

Refletir sobre todos esses fatores e impactos – além de outros, como a depreciação de toda a Educação Pública – é um dos desafios da educação crítica. 

É certo que as intercorrências históricas são marcantes, como também verificamos na chamada formação social brasileira: machismo, autoritarismo, elitismo. 

Com esse pacote social, institucional, político, resta bastante claro que "a crise da educação, não é uma crise, mas um projeto".

Essa declaração de Darcy Ribeiro, senador da República na época da edição da Constituição de 1988, não é uma sentença eterna. Porém, pouco se fez até agora para que esse processo fosse interrompido.

Esse é o principal desafio das educadoras e dos educadores, ou seja, precisamos interromper com urgência o processo de crescente falibilidade programada da Educação Pública.

De forma atualizada, tempos ainda o desmonte do ideário da autonomia e da emancipação: a ponta de lança se denomina de neoliberalismo e o exemplo concreto vem de São Paulo. A autonomia intelectual dos docentes é negada pela obrigação de repetir slides em sala de aula, via de regra, completados com erros históricos e conceituais. 

É claro que a mudança de tudo isso passa pelo voto, esse ato que expressa nossa consciência. No caso específico, precisamos ter atenção máxima para o fato de que as forças políticas dominantes em São Paulo representam a hegemonia das forças econômicas que se fortalecem com a uberização. Passar slides, repetidos e feitos por outras pessoas também demonstra a uberização da educação. Além de docentes que viraram uber, porque os salários não abastecem adequadamente a mesa de jantar dos filhos. 

Em ano eleitoral, sobretudo, a missão está em procurar representantes que se identifiquem com a Educação Pública de qualidade, laica, democrática, republicana e integral. 

Esse seria um bom começo para pensarmos numa educação crítica, incentivando-se a autonomia e a emancipação, a inclusão, a acessibilidade e a permanência. 

O que, por fim, apesar de ser uma luta política inesgotável, sem fim, nos coordena, como profissionais da educação, a lutarmos pela superação de tudo que se assemelhe à "privatização do público" e à negação da Política (a Polis).

É óbvio que lutar politicamente pela Educação Pública corresponde a um compromisso político e pessoal contrário à uberização social, à precarização do Mundo do Trabalho. 

Mas, de modo pragmático e efetivo, nossa missão se inicia com a consciência de que os/as estudantes são sujeitos do conhecimento, um polo ativo na relação de ensino e de aprendizagem. Essa é a Epistemologia política trazida por Paulo Freire. 

De forma direta, quem assim se identifica com a Educação Pública de qualidade, crítica, laica, integral, voltada à humanização, tem, por obrigação de ofício da consciência, que lutar contra a imposição do ensino religioso, as escolas cívico-militares, a educação financeira. 

As classes trabalhadoras, subalternizadas, não precisam aprender a economizar (o que não têm), pois, pela lógica, necessitam de uma educação crítica que as instigue a participar da luta política em proveito de condições dignas de trabalho e de vida.

O postulado vê a crítica como missão emancipatória da Educação. Fora disso não há ciência, consciência, mas sim ideologia e adestramento.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoTerça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

CIÊNCIA É CONSCIÊNCIA ¹?

CIÊNCIA É CONSCIÊNCIA ¹?

        O capitalismo é contraditório e isso significa dizer que produz uma ciência capaz de reduzir a fome, combater as letalidades naturais, ao me

O Bom Senso e o efeito extrator do senso comum

O Bom Senso e o efeito extrator do senso comum

        Esse é um dos temas da aula de hoje, na pós-graduação. Porém, note-se que se trata de um fenômeno social, cultural, que está presente na vid

Ciência como consequência

Ciência como consequência

Ester Dias da Silva Batista – mestranda do PPGCTS/UFSCar O que fazer para alavancar a pesquisa, o Pensamento Científico, a inclusão, democratização

Educação Crítica da Uberização  - uberização e capitalismo de barbárie - intuições de um professor

Educação Crítica da Uberização - uberização e capitalismo de barbárie - intuições de um professor

Tendo-se a clareza de que, todos/as que pedem uma pizza pelo aplicativo estimulam, reproduzem, monetizam a lógica da uberização social, nesse texto,

Gente de Opinião Terça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)